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Jundiaiense prefere ir a pé do que esperar e pagar por ônibus

THIAGO AVALLONE | 29/09/2019 | 06:00

A má qualidade prestada pelo serviço de transporte tem feito muitos jundiaienses trocarem suas viagens por bicicleta ou preferirem andar a pé. Jundiaí está entre as 20 cidades do Brasil em que a espera de ônibus ultrapassa 20 minutos, segundo dados do aplicativo Moovit. Os jundiaienses esperam ônibus mais tempo do que moradores de Porto Alegre, Curitiba, Florianópolis, Santos, entre outras grandes cidades brasileiras.

A questão do tempo não é o único motivo para os jundiaienses deixarem de usar o transporte público, além da demora, o preço alto faz com que muitas pessoas deixem de usar os ônibus. Segundo dados da Prefeitura de Jundiaí, em 2017, a média mensal era de 2,8 milhões de passageiros, ante um total de 2,6 milhões registrados em março de 2019 (queda de 7,27%).

O vendedor, Filipe Gabriel Anzorena Silva, 23 anos, explica que decidiu ir aos lugares andando, pois se sente mais à vontade, sem estresse por não ter que esperar o ônibus, aliado ao fato de fazer uma atividade física e ainda poder economizar dinheiro.

“Em muitos lugares temos ‘várias opções’ de ônibus, porém na maioria das vezes eles passam todos ao mesmo tempo. Se, por acaso, chegar no ponto e o ônibus já tiver passado, terei que esperar um bom tempo até que venham os próximos novamente, portanto diversas vezes acaba sendo mais rápido ir a pé nos lugares, além de ser mais barato e prazeroso”, declarou Gabriel.
Em relação aos dias de chuva, Gabriel disse que se protege com roupas próprias para o clima e, se estiver com muita pressa, opta pelo transporte por aplicativo, pois é bem mais rápido, tem qualidade e a diferença de preço não é muito é grande em relação ao ônibus.

De acordo com o economista Mariland Righi, a redução de usuários de transporte público tem a ver com dois fatores característicos de Jundiaí. Mariland explicou que os bairros são autônomos, por exemplo, Eloy Chaves, Vila Hortolândia e Caxambu.

“Dentro de cada bairro as pessoas encontram praticamente tudo que é necessário, desde escolas e supermercados que usamos quase todos os dias até Unidades Básicas de Saúde, farmácias. Isso facilita a locomoção e não exige que as pessoas utilizem do transporte público”, declarou o economista.

Mariland também explicou que devido a Jundiaí ser uma cidade segura, a população tem menos medo de andar pelas ruas, o que aumenta o número de quem faz os caminhos a pé.

Gianlucca Hernández, 22 anos, estudante e garçom, começou a usar a bicicleta como meio de transporte pois morava perto da escola. Atualmente, ele pedala até São Paulo para cursar a faculdade para economizar. “O transporte na cidade é caro e não vejo motivo de gastar dinheiro já que posso fazer as coisas de bike. Com esse mesmo pensamento, decidi ir para minha faculdade em São Paulo pedalando”, concluiu o jundiaiense.

A prefeitura informou que deu início ao programa Mobilidade Total, com a revitalização dos terminais, renovação de 20% da frota, câmeras de segurança e GPS em todos os veículos, aplicativos para acompanhamento das linhas e o tempo gasto no deslocamento da viagem, entrada USB nos ônibus novos e possibilidade de pagamento da passagem com cartão de crédito, débito ou carteira virtual. Como parte das ações do programa, também foi promovida a revisão das 86 linhas do transporte coletivo, o que resultou em 173 alterações no sistema de janeiro de 2017 até setembro de 2019.

Como resultado, a média mensal de cumprimento de partida dos ônibus atingiu o patamar de alta e estável em 2019 – na casa dos 90% – e a pontualidade, relacionada aos horários das partidas, é de cerca de 80%. Outro dado positivo se refere à queda de 42% das reclamações dos usuários registradas no 156, de março de 2017 (quando 777 reclamações foram registradas) para julho deste ano (448).


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