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Voluntários se unem em projetos sociais

Guilherme Barros | 27/10/2019 | 08:00

A solução para diminuir a questão da vulnerabilidade social é encontrada por anônimos voluntários que muitas vezes tiram dinheiro do próprio bolso para manterem entidades assistenciais. Soluções caseiras e simples iniciativas são exemplos que movimentam bairros, geram renda e oportunidades para quem vive em situações que fogem do cotidiano desprezado pela sociedade.

Da experiência com o esporte e a vivência no Jardim São Camilo nasceu o Panta Futebol Clube. Fundado em 2016, o trabalho é voltado para os garotos do bairro que queiram praticar a modalidade. “Hoje temos aproximadamente 100 crianças e adolescentes que gostam de praticar futebol. É uma maneira de tirá-los das ruas e dar uma oportunidade. A gente sabe que jogadores profissionais saem da periferia. Por que não acreditar que daqui sairá um talento?, questiona o coordenador do projeto, Vanderlei Ribeiro da Silva, o Vandeco.

A iniciativa ganhou corpo a ponto de outras modalidades serem incorporadas. “Para 2020, já existe a possibilidade de termos aulas de basquete e também judô”, completa. Comerciantes e pessoas físicas abraçaram a iniciativa. Os bairros no entorno do Jardim São Camilo, como Vila Aparecida e Jardim Tarumã, são os principais apoiadores da causa. “São pessoas anônimas que dão doações como bolas, sapatos, uniformes. A gente montou um programa de ‘sócio-torcedor’, em que aproximadamente 15 pessoas nos doam uma quantia física em dinheiro”, finaliza Vandeco.

Do outro lado da cidade, a prática do esporte e da inclusão social também muda a vida de quem participa, aliando o voluntariado com a experiência profissional. A assistente social Fernanda Rischioto Morosi é uma das responsáveis por dar continuidade à Associação Crista em Defesa da Cidadania (ACDC), Ong sem fins lucrativos, que depende de parcerias com outras entidades para continuar desenvolvendo ações de cidadania e inclusão a seus quase 30 assistidos. “Nosso foco são crianças e adolescentes da região do Parque Cecap, mas não nego assistência para ninguém, de nenhuma idade”, diz a assistente, que está há quatro anos na Associação.

A oportunidade de aprender foi o gatilho para a decisão da aposentada Eliza Urias Machado, que participava da segunda aula de um curso de informática de 60 horas oferecido em parceria com o Centro Paula Souza. “Fico muito tempo sozinha e mexo bastante no celular, mas não conseguia no computador. Às vezes a gente precisa pagar um boleto, imprimir algo, navegar na internet”, diz.

O mesmo curso serve para quem busca oportunidades de trabalho. A estudante Cristina de Melo, 19, faz o mesmo curso para turbinar o currículo no mercado profissional. “Nunca consegui trabalho e quero me especializar para tentar ser secretária, talvez”, enfatiza. Segundo o último dado da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios (PNAD contínua) 27,7% dos jovens entre 18 e 24 anos não estudam e nem trabalham no Brasil. A amostra foi divulgada em agosto.

 

BAZAR PERMANENTE

A ACDC gera renda por meio de doações, voluntariado e através da venda de roupas e livros que ficam em seu bazar permanente. “A gente recebe os mantimentos de várias partes da cidade. É sempre bom ter produtos novos”, enfatiza Fernanda, pedindo para que todas as doações sejam enviadas para a sede, na rua Uva Niagara, 901, no Parque Cecap.


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