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A beleza plus size e o libertador empoderamento feminino

Thiago Avallone | 20/10/2019 | 05:02

Recentemente, a marca americana de roupas Victoria’s Secret contratou sua primeira modelo plus size. Ali Tate Cutler tem 1,77 metro de altura, pesa 65 kg e veste tamanho 14, medida equivalente aos números 44/46 no Brasil. A modelo é uma das estrelas da parceria da VS com a etiqueta londrina Bluebella, conhecida pelas campanhas inclusivas. A contratação pela Victoria´s Secret de uma modelo cheia de curvas acende o debate sobre o limite entre marketing e inclusão.

O termo plus size está cada vez mais conhecido, porém muitas pessoas ainda não entendem o que realmente significa. De acordo com especialistas da moda, o plus size começaria no tamanho 46. Porém, na prática, a mulher que usa 44 já pode ser considerada devido a dificuldade de encontrar roupas de grifes tradicionais. Essas marcas costumam produzir somente até o 42, deixando a mulher 44 numa espécie de ‘limbo fashion’.

A jundiaiense Giovana Ventrigilio demorou para perceber que poderia ingressar na carreira de modelo plus size. “Algumas pessoas me diziam que eu poderia trabalhar como modelo, mas ainda não conseguia ver isso. Devido ao feminismo, a todo processo de empoderamento, de conhecer meu corpo, eu pude perceber que posso me sentir bem sendo como sou. Comecei a ver de uma maneira diferente, algo inclusive que até hoje é libertador”, explicou a jovem.

Além de modelo, Giovana trabalha numa loja de roupas femininas e enfatiza a importância de ter roupas de todos os tamanhos, para assim, não excluir ninguém. “Eu sempre peço para que tenhamos roupas do mesmo modelo em todos tamanhos. É muito ruim quando a pessoa gosta da roupa e, por ser tamanho G, acaba ficando de fora, pois os modelos mais bonitos normalmente só tem o tamanho P e algumas vezes o M”, explicou.

Ela ainda disse que devido à cultura e ao comportamento das pessoas, quem está acima do peso cresce acreditando que apenas o magro é bom e bonito, o que ocasiona a busca por tentar se enquadrar aos padrões.

“Desde criança sofria bullying e com isso acabava me sentindo excluída, com baixa autoestima. Eu achava que nunca conseguiria pertencer a sociedade. E isso se estendeu até a adolescência. No ensino médio era ainda pior, pois já entravam outras questões. Eu cheguei a comprar shorts de tamanho menor porque achava “errado” usar um tamanho maior. Tive inclusive que fazer terapia”, relatou Giovana.


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