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A história da cidade marcada por suas fontes e chafarizes

MARIANA CHECONI | 14/12/2019 | 05:00

Muitos elementos podem ajudar a entender a história de uma cidade. Igrejas, construções antigas, praças e museus denotam o contexto histórico em que foram criados. Entre esses elementos, podemos citar as fontes e chafarizes. Criados para bebedouros de animais, decoração ou para homenagear alguém, possuem grande valor para a compreensão de determinada época.

Uma parte da história dos 364 anos de Jundiaí pode ser conhecida através das fontes e chafarizes que um dia já existiram na cidade. As duas primeiras instalações da cidade foram feitas no início do século 20. Ficavam na região central, uma fonte em frente à Catedral Nossa Senhora do Desterro, onde hoje está o monumento das caravelas e um chafariz na parte de trás da igreja, em frente ao coreto. Segundo o professor Maurício Ferreira, o local era conhecido por suas luzes coloridas, que iluminavam o Centro à noite e pelo footing. “Era na fonte que aconteciam as paqueras. As mulheres andavam na direção contrária dos homens dando várias voltas em torno de lá”, explica. Segundo os registros, foi demolido em 1960 com o pretexto de que molhava as pessoas, já que havia muito vento na cidade. “Na verdade, políticos e comerciantes do Centro da cidade não gostavam da fonte, pois os soldados quando davam baixa do quartel entravam nela para se banhar. Com isso, resolveram acabar com ela e, hoje, restam apenas alguns registros da época”, conta o professor.

Em frente à Catedral, um lindo chafariz iluminava o footing dos jundiaienses

Bebedouros
Outros chafarizes que marcaram a história da cidade foram criados para servirem de bebedouros para os cavalos na década de 50. Havia um no Largo São José, um na rua Prudente de Moraes e outro na Vila Arens.

O único que ainda persiste é o da Prudente de Moraes, mas hoje não tem mais água. É apenas uma jardineira. Os outros dois são apenas lembranças de alguns moradores antigos de Jundiaí.

Valcir Pacanaro, perto de completar 70 anos, relembra a época em que o chafariz da Vila Arens existia. O senhor trabalhava na Companhia Fiação e Tecidos São Bento, que na época ficava próxima ao chafariz. “Os carroceiros faziam fila para dar água aos cavalos, víamos isso diariamente. A água do chafariz saía pela boca de uma imagem de mulher. O intuito maior da fonte, além de ser um ponto de encontro e ser muito bela, era saciar a sede dos animais após longos períodos de trabalho. Me lembro com muita saudade de cada momento que presenciei”, conta. Com a chegada dos transportes modernos um acidente marcou o fim do chafariz, que foi desativado após um carro colidir contra ele.

O chafariz do Largo São João foi retirado após a reforma da praça. “As fontes e chafarizes deveriam ter sido preservados como patrimônios históricos de Jundiaí, por terem sido tão importantes para a época e história, porém o desuso e as reformas na cidade fizeram com que eles deixassem de existir”, explica o professor.

Atualmente, resta uma fonte em funcionamento. A Fonte da Praça da Cultura, conhecida também como “Praça das Noivas”, está localizada na rotatória da Vila Lacerda, junto à confluência das avenidas Nove de Julho e Vereador Geraldo Dias, tem por centro um monumento que reproduz um pergaminho e uma caneta, obra da escultora jundiaiense Semíramis Mojola. O monumento é enriquecido com luzes e canteiros arborizados e floridos, tornando-se um dos cartões postais da cidade.


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