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A história e a tradição das rainhas e princesas da Festa da Uva

THIAGO AVALLONE | 26/01/2020 | 10:15

Uma das maiores tradições da Festa da Uva é a escolha da Corte da Uva, com sua rainha e princesas. Nos primeiros anos do evento, a eleição era intrinsecamente ligada à atividade agrícola da cidade, em especial filhas de agricultores e moradoras de bairros rurais. Por conta do fenômeno da urbanização, essa tradição acabou dando espaço para outras mulheres se candidatarem. Com exceção da 7ª (1964/65) e 8ª (1966) edições, as demais tiveram eleição para a Corte da Uva.

Aos 91 anos, a rainha de uma das edições mais antigas, Pompeia Fabrício, representante da terceira edição da festa, em 1947, conta que ela era filha de agricultores. Seu pai, Raphael Fabrício, participou da primeira edição da festa em 1934, tendo sido o vencedor da premiação como melhor pequeno produtor de frutas de Jundiaí. Ela conta que a sensação de se tornar rainha da Festa da Uva é única e apesar de tantos anos passados, ainda sente reflexos da conquista.

“Sou muito feliz por poder representar a cidade, principalmente por ter sido eleita embaixadora da festa. Naquela época era muito difícil. Existia muito preconceito. Tive que convencer meus pais para participar da competição, que era bem diferente do que é hoje”, disse a aposentada.

De acordo com Pompeia, o evento acontecia no Centro e a eleição era feita através de votação e divulgada pela Rádio Difusora. Hoje ela vive em Pirassununga e participa de competições de atletismo direcionada para a terceira idade. Este ano ficou em terceira lugar em uma disputa realizada em Jundiaí.

DESTAQUE

Em 1970, a bacharel em Direito, Mariana Pacheco, de 68 anos, foi a escolhida para representar a cidade como rainha da Festa da Uva. Fato que a deixou muito orgulhosa. “A festa era um grande momento para cidade. Participávamos de programas na TV, íamos aos jornais de São Paulo e região. Na época tínhamos aula sobre vinho e cultivo de uva com o engenheiro agrônomo Fortunato Braga. Geralda Yarid nos preparava e orientava para o evento. Conquistar esta faixa era uma alegria para as famílias e amigos. Para mim era importante e motivo de orgulho por representar a cidade”, relata Mariana Pacheco.

Além de rainha, outra posição que é motivo de orgulho e alegria para as candidatas, é de princesa. Dináh Thomazetto Zanatta foi eleita em 1980. De acordo com Dináh a escolha era muito diferente do que é hoje.
“Eu tinha 15 anos, na flor da idade. Foi maravilhoso representar o bairro Traviú na festa. Além disso, fui vinhateira por mais 3 festas na sequência. Na época íamos a programas televisivos. Eu mesmo tive a honra de ir aos programas do Chacrinha, Hebe, Raul Gil e outros.

Dináh explica que a eleição também era feita de forma diferente de como é hoje. De acordo com a princesa, na sua edição eram sete bairros produtores de uva. Cada um indicava uma representante que necessariamente teria que ser do bairro e ter um vínculo com a uva. Depois havia um desfile com trajes de festa e uma entrevista em que as candidatas eram julgadas pela simpatia, desenvoltura, beleza e cultura.

Este ano as candidatas tiveram uma semana de ensaios e treinamentos, realizados pelas produtoras Luciana e Cássia Menegazzi e convidados. Joyce, Tamires e Geovana foram eleitas entre 18 candidatas, julgadas nos quesitos elegância, simpatia e desembaraço após desfiles e entrevistas. Os jurados foram a empresária Isabela Vendramin, o músico Renato Vianna, a empresária Sandra Brunholi, a produtora cultural Tainan Franco e o cabeleireiro Valdeci Rodrigues.

O gestor da Unidade de Gestão de Cultura (UGC), Marcelo Peroni, ressaltou a importância do evento e das candidatas que foram eleitas. “Quem faz parte da Corte da Uva marca seu nome na história da festa e de Jundiaí”, concluiu Perone.


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