Jundiaí

A morte de Jorge Luis de Almeida


Na manhã de ontem (31), antecedendo o dia dedicado a Finados, foi embora Jorge de Almeida, aos 95 anos. Era uma pessoa admirável. Por trás de uma aparente sisudez, havia um coração imenso, cordial e transparente. Mais que isso, um personagem culto e inteligente. Foi assim ao longo de todos estes anos, que conduziu, com grande sucesso, a sua vida pessoal. Professor universitário, Promotor Público, Juiz de Direito, Desembargador, não lhe faltou os mais dignos adjetivos em seu currículo profissional. Mas foi na sua excepcionalidade um homem solidário com as boas causas da Justiça. Os traços pessoais de Jorge foram muito conhecidos. O que mais se destacava era o seu modo simples de ser e viver. Era sóbrio e despojado de tudo, a começar por ser atencioso ao tratar as pessoas. Conta o dr. Tarciso Germano de Lemos, que, quando do início de carreira na Promotoria, Jorge se apresentou em Jundiaí. O único hotel com condições de hospedagem era o antigo Grande Hotel. Dispendioso para alguém em inicio de carreira. Onde está situado hoje o Fórum da cidade, havia um prédio antigo, que abrigava no térreo a Cadeia Pública e, no andar de cima, o Judiciário. Em conversa com o delegado, acertou-se em arrumar uma cela, com uma cama, e o jovem promotor ali permaneceu até que pudesse trazer toda a sua família, em nova moradia. Adotou esta terra e construiu uma bela família. Jorge era assim mesmo. Humilde, dedicado, humano. Conheci, ao longo da vida, pouquíssima gente com a retidão, a integridade, a honestidade. E com a sua generosa solidariedade com os despossuídos, os relegados, os desprezados, os submetidos. Era de um rigor e de uma exigência a toda prova, com ele e com os amigos mais próximos. E, ao mesmo tempo, tinha uma enorme capacidade de compreensão diante dos erros alheios. Tinha o carinhoso apelido de "pilha fraca" devido a sua voz mansa e serena. Mas, nunca foi esquecido pelos seus alunos Sabia falar, mas sabia mais ouvir. Nunca foi revanchista. Cidadão exemplar, pai de família. Pessoa impar. Um grande brasileiro. Diz Tarciso, que uma vida longa, como uma arvore centenária, causa sempre comovida admiração de todos, mas quando além de longa foi nobremente vivida, tem a grandiosidade de um templo, onde não se entra senão descoberto e contrito. Perdemos um homem que viveu a plenitude de sua condição humana. Os íntimos perderam um excelente amigo. A família de Jorge Luis de Almeida perdeu o seu grande amor. Meus pêsames, a sua querida esposa, a todos seus familiares. GUARACI ALVARENGA é advogado. E- mail: [email protected]  

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