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A rotina de quem não pode parar de trabalhar

Nathália Sousa | 16/04/2020 | 09:00

Os profissionais que trabalham em alguns setores da economia, principalmente aqueles de serviços essenciais, principalmente os setores de alimentos, medicamentos e de transporte público, não puderam ficar em isolamento social e por isso a rotina continua a mesma. Apenas tiveram que redobrar os cuidados para não serem contaminados pelo covid-19.

Uma funcionária de uma farmácia no Centro, que não quis se identificar, trabalha diretamente com o público e diz tomar todas as precauções. “Já passou a fase do medo. A gente toma as precauções e por isso tudo está mais tranquilo, mas as primeiras semanas foram realmente complicadas”, relata.

Com uma mãe idosa sem casa, ela tem feito os serviços de urgência para que não haja necessidade de locomoção. “Minha mãe está isolamento e evita sair, então eu faço as compras pra ela.”

Aos 35 anos, Maycon Tiago, dirige para aplicativos de transporte e, mesmo tendo sido assaltado recentemente, não perdeu a vontade de trabalhar. “Fiquei 15 dias parado, mas voltei a trabalhar. Fui assaltado na terça em São Paulo, levaram dinheiro, celular, ainda bem que não pegaram o carro”, comenta o motorista.

Os atendimentos têm sido feitos graças a um celular reserva que conseguiu. “Tá bem parado. Hoje (ontem), por exemplo, fiquei uns 40 minutos esperando corrida. Já pedi auxílio do governo, mas ainda não saiu nada”, conta o motorista.

O caso se repete com Jefferson Pereira da Silva, motoboy de 33 anos que trabalha com aplicativos de entrega. “Tenho mais medo de ficar sem dinheiro do que do vírus”, diz ele.

Silva, assim como outros motoboys que esperavam entregas, conta que as medidas adotadas por aplicativos para que entregas sejam feitas sem contato com os clientes não têm dado muito certo. “Os próprios restaurantes não respeitam isso”.

Sobre a possibilidade de um contágio, ele revela não poder ficar parado. O motoboy percebe o aumento no número de entregas e também na quantidade de motoboys. “Se pegar, continuo trabalhando. Só não trabalho quando caio de moto. Às vezes o cara está parado em casa, pega uma moto e vai entregar para ter um dinheiro”.

Em Jundiaí, na última semana os índices de isolamento ficaram abaixo do recomendado para a segurança do sistema público de saúde. O dia com o maior índice foi a última sexta (10), com 57% das pessoas em casa. O ideal é 70%.

Segundo informações do governo estadual com o Sistema de Monitoramento Inteligente (SIMI – SP), as informações mais recentes de jundiaí apontam 48% de isolamento na cidade, tanto na segunda (13), quanto na terça (14) desta semana.


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