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A vida de Frank e Sofia a bordo de uma Kombi

FÁBIO ESTEVAM | 21/08/2019 | 17:45

Cinco anos atrás, num dia qualquer, o até então empresário no ramo de manutenção residencial, Frank Souza, foi abastecer seu carro em um posto no bairro Santa Gertrudes, em Jundiaí. Era noite e ele estava a caminho de casa para jantar. No posto, que fica na avenida Ricardo Cesar Fávaro, havia uma cachorra vira-lata, abandonada e com fome. Foi amor à primeira vista. Ele a alimentou e a acolheu em sua casa, lhe dando o nome de Sofia. De lá para cá a vida pregou muitas peças em Frank, que hoje não tem mais nem residência fixa. Aliás, por ironia do destino, ambos estão de volta ao mesmo posto de combustíveis onde tudo começou e vivendo dentro de uma perua Kombi. Naquela oportunidade, em 2014, a cachorrinha precisava de ajuda e ele estendeu a mão. Hoje, ambos precisam de ajuda.

Depois que Frank levou Sofia para casa, eles construíram uma linda história de amizade e lealdade, e se tornaram inseparáveis. Ambos permaneceram morando no Santa Gertrudes até início do ano passado, quando Frank decidiu realizar um sonho pessoal: viajar pelo Brasil a bordo de uma Kombi, levando consigo Sofia e pregando a importância da causa animal. A essa altura Frank já havia mudado de ramo. Era cabeleireiro e tinha um pequeno salão. E para realizar o sonho, vendeu todos os equipamentos, além de uma velha moto, e usou para comprar uma Kombi – que foi vendida a ele com tantos problemas mecânicos que lhe causaram muita dor de cabeça.

No dia 2 de fevereiro de 2018 ele e Sofia deixaram Jundiaí para ganhar o Brasil. E durante quase 10 meses conheceram quase todo o país juntos, passando por 15 estados e muitos perrengues. “A Sofia inclusive nos salvou de sermos assaltados, quando estávamos em Camocim, no Ceará. Eu havia estacionado a ‘Jabiraca’ (nome dado à Kombi) em uma praia e estávamos dormindo. Era madrugada e eu tenho o sono pesado”, disse ele. “A Sofia começou a latir desesperadamente e me despertou. Quando percebi, havia dois homens, um de cada lado da Jabiraca, tentando abrir a porta. Eu então acendi a luz e eles correram. Naquela noite eu não consegui mais dormir, mas ela nos livrou de perdermos o pouco que tínhamos naquele momento”, lembrou, com ar de gratidão.

Em outubro do ano passado, após inúmeros problemas com ele e também com a saúde de Sofia, Frank decidiu voltar. E no dia 15 de novembro ele estava de volta a Jundiaí, aliás, sem a ajuda de muitos que lhe prometeram, caso eles voltassem. “Ficamos na rua no primeiro mês, onde eu morava. Mas era uma subida íngreme e mal dava para dormir na Kombi. Então pedi para ficar aqui no posto e eles, muitos gentis, me deixaram. Até arrumaram um cantinho legal aqui pra gente. Já são oito meses aqui”.

Tanto ele quanto Sofia são muito queridos pelos frentistas e pelos motoristas que abastecem o carro no local. Todos ajudam um pouco. Nas redes sociais, Frank também conta com amigos que sempre se dispõem a ajudar. Foi assim que ele conseguiu castrar Sofia e aplicar todas as vacinas necessárias para protegê-la. Para matar a fome e também alimentar Sofia, ele também conta com ajuda – como a do repórter fotográfico Alexandre Martins, que lhes comprou um cacho de bananas e algumas cenouras. “A Sofia não come ração, não adianta. Ela gosta de frango e cenoura. Aliás, ela adora cenoura”, contou ele.

Mas Frank não conta somente com amigos para sobreviver. Conta com a vitalidade que ainda tem aos 54 anos e quer trabalhar. Por isso, Frank faz um apelo. “Eu entendo de jardinagem e posso ser um ótimo caseiro. Resolveria todo o meu problema, de moradia, de segurança para a Sofia, e ainda teria o meu dinheirinho para vivermos felizes”, disse ele. “Mas também posso ser zelador. Tenho experiência no ramo. Essa é outra forma que eu teria de trabalhar sem deixar minha menininha sozinha. Mesmo porque não posso deixá-la na Kombi, é perigoso e eu não fico sem ela”.

Quem quiser e puder ajudá-lo, seja indicando a alguém ou mesmo conseguindo uma oportunidade trabalho nas condições envolvendo Sofia, pode entrar em contato pelo telefone: (11) 95038-4449. Ou, também pode dar uma passadinha no posto. Ele ainda corta cabelos para levantar uns trocados.


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