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Abandonados pelos convênios, pacientes recorrem ao HSV

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 10/02/2019 | 07:00

O setor de oncologia clínica do Hospital São Vicente (HSV) viu o número de pacientes de câncer que fazem tratamento quimioterápico na entidade crescer 40% nos últimos dois anos. O aumento não se refere a uma maior incidência de câncer na Região, mas a um número maior de pessoas que deixaram de ter plano de saúde e precisaram recorrer ao SUS.
“É importante frisar que não temos um número maior de pessoas ficando com câncer. A incidência segue crescendo a 1,5% ao ano em todo o país”, explica o médico Marcello Fanelli, responsável pelo setor de oncologia clínica do hospital. “O que acontece é uma migração do sistema privado para o público”.

O fenômeno não é exclusivo de Jundiaí, mas do país todo. O perfil dos pacientes excedentes também segue a tendência nacional. “O problema geralmente aparece depois dos 50 anos, e a maior parte dos novos pacientes também estão nesta faixa”, informa o médico.

A idade é um dos fatores que costuma encarecer o preço dos planos de saúde e tornar o tratamento inacessível para muitos. Foi o que fez Luciene Tedesco Zalaf, de 60 anos, começar a se tratar no sistema público quando um tumor nas mamas apareceu pela segunda vez em 2007. “Eu já tive câncer em 1995 e fiz todo o tratamento pelo convênio, mas em 2007 o fato de já ter a doença somado à minha idade deixou o preço estratosférico”, lamenta.

Na época, o plano de saúde – oferecido por uma das operadoras de saúde mais conhecidas de Jundiaí – se negou a cobrir alguns exames pedidos pelo mastologista de Luciene. Ela decidiu não procurar seus direitos juridicamente, uma vez que já estava passando por uma situação de saúde delicada e quis ‘evitar o desgaste’, mas a lei obriga a cobertura do tratamento de câncer por todo e qualquer convênio.

Luciene deu continuidade ao tratamento no Hospital Universitário (HU), onde fez quimioterapia e mastectomia. Em 2018, porém, um terceiro tumor nas mamas apareceu. Dessa vez, o tratamento foi no São Vicente. “Não tenho do que reclamar. O pessoal é atencioso, meus exames e consultas sempre foram rápidos e, por isso, não precisei de cirurgia dessa vez”, agradece.

Maria Gersina de Oliveira, 57 anos, também resolveu tratar seu câncer de mama no HSV, mesmo tendo direito ao Instituto de Assistência Médica do Servidor Público Estadual (Iamspe). “Quando fui diagnosticada, em maio de 2018, fiz todos os meus exames pelo plano e cheguei a marcar cirurgia. Porém, eu tinha que passar por consulta com um oncologista antes e o hospital do servidor não tinha um”, conta. “A fila para uma consulta era de 100 pessoas e eu não podia esperar”.
Ela então acatou a sugestão do filho, que mora em Jundiaí há dez anos, e se mudou da capital para cá em agosto de 2018 em busca do tratamento no São Vicente. “Fiz a mastectomia e a quimioterapia mais agressiva. Agora estou na fase mais branda”, diz.

Para acolher e acomodar um número de pacientes 40% maior, o São Vicente aplica um sistema de gestão rigoroso do orçamento. “O hospital já esteve numa situação financeira muito pior. Hoje ainda não estamos numa situação confortável, mas tentamos sempre fazer mais com menos”, analisa Marcello.

O setor de oncologia atende, hoje, cerca de dois mil pacientes por mês, sendo aproximadamente 1.200 consultas e 700 quimioterapias. A fila é praticamente inexistente. “Hoje operamos com uma das filas mais enxutas do sistema público no país. Conseguimos realizar a consulta em sete dias e o retorno em 20”, diz o especialista.

QUIMIOTERAPIA NO HOSPITAL SAO VICENTE DE PAULO MARIA GERSINO DE OLIVEIRA


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