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Abraços para diminuir a solidão

MARIANA CHECONI | 15/09/2019 | 07:32

Você já se sentiu sozinho mesmo rodeado de outras pessoas? Um sentimento de vazio e isolamento, mesmo com familiares e amigos o tempo todo? É assim que começa um problema que está cada vez mais comum nos dias atuais, a solidão.

O psicólogo Damião Silva explica que a solidão é um sentimento natural e saudável e afeta todos em algum momento da vida.

“O ser humano precisa de períodos solitários para fazer uma autorreflexão sobre seus atos, descansar e até mesmo dar valor aos relacionamentos. O senso comum associa a solidão a falta de pessoas ao redor, mas na verdade, você pode estar rodeado por milhares de pessoas, e ainda assim, sentir-se sozinho”, afirma.

Damião ressalta que as pessoas precisam ficar atentas quando esse sentimento tiver uma causa específica, for muito intenso e durar por um tempo maior do que deveria.

“A solidão se torna um problema quando não conseguimos ficar bem sozinhos. Com isto, nos tornamos emocionalmente dependentes, precisando ter alguém por perto que possa nos trazer bem-estar. Essa dependência é destrutiva para a nossa liberdade e leveza emocional. Ser ou estar introspectivo por um tempo não é problema, mas estar sempre assim nos torna inflexíveis, com pouca capacidade de mudança e adaptação, o que nos traz sofrimento, mal-estar e a sensação de peso na vida”, explica.

“Podemos classificar a solidão em três níveis de intensidade de acordo com alguns pesquisadores: leve, com presença de pensamentos negativos; mediana, presença de pensamentos negativos que trazem sofrimento e Intensa, com pensamentos negativos que trazem profundo sofrimento e a sensação de que não há esperança ou possibilidade de resolução. Neste último caso é aconselhável buscar a ajuda de um especialista imediatamente”, explica o psicólogo.

Uma das explicações para o aumento do nível de solidão nas pessoas é o uso excessivo da tecnologia, pois ela serve para conectar os humanos de várias formas. Contudo, nem por isso deixamos de ter essa sensação de solidão.

“Importante frisar que a tecnologia nos aproxima e nos afasta na mesma intensidade. Precisamos apenas tirar proveito disso e começar interagir de forma saudável. A dica é puxe conversa com os amigos quando os mesmos publicarem algo e aproveite para combinar um encontro pessoalmente regado a calor humano, vozes, cheiros e muita vida real”, aconselha o psicólogo.

A solidão afeta a autoestima, o bem-estar e a rotina. Sentimentos como tristeza e vazio são muitos comuns em pessoas que se sentem sozinhas. Por isso é muito importante buscar ajuda. Contar com ajuda de familiares, amigos próximos, grupos de apoio e buscar ajuda psicológica podem amenizar o sentimento e ajudar quem passa por essa fase difícil.

Apoio

Pensando nisso, um grupo de jovens resolveu se reunir e doar um pouco do tempo e do afeto para ajudar os solitários.

O contador Carlos Alberto Ramalho da Silva, 28, conta um pouco sobre o projeto. “Somos um grupo de pessoas de uma faixa etária média de 25 anos, nos reunimos na Igreja do Evangelho Quadrangular e temos ações todos os meses no Hospital São Vicente, onde cantamos e abraçamos quem está precisando.

Muitas pessoas choram e desabafam nesses encontros. Além disso, esporadicamente, também damos esse momento de afeto aos moradores de rua e anualmente nos cemitérios da cidade no Dia de Finados. Nosso maior objetivo é aliviar a dor no pequeno momento de desespero”, afirma.

Carlos afirma que essa atitude ajuda todos que participam, de alguma forma. Seja abraçando, ou sendo abraçado. “As pessoas se sentem sozinhas, mesmo rodeada de amigos, pelo fato de não ter o afeto. Acreditamos muito que o avanço da tecnologia deixou os relacionamentos humanos de lado. O olho no olho, o aperto de mão, o abraço apertado e tantas outras demonstrações de carinho estão se perdendo. É por isso que começamos a fazer esse trabalho”, explica.

Além do apoio psicológico e o trabalho voluntário, outra maneira de amenizar a solidão é se autoconhecer. A Monja Kelsang Chime conta que a meditação é um meio muito eficaz para isso.

“No budismo, acreditamos que um dos motivos que leva alguém a se sentir solitário é quando a pessoa faz de tudo para separar a relação de terceiros. Seja um casal, pais e filhos, amigos, qualquer tipo de relacionamento. Quanto mais ela separa, mais o sentimento de solidão cresce e isso vira uma bola de neve. Para isso parar, a pessoa precisa querer. A meditação é uma maneira se conhecer e aprender a gostar da própria companhia, amenizando esse sentimento”, explica.


MARIANA CHECONI
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