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Ações fazem mães diminuirem em 60% o uso de fórmulas lácteas

GUSTAVO AMORIM - gamorim@jj.com.br | 21/03/2018 | 06:48

Aline Nogueira coloca as mãos na filha Isabella e, com o maior cuidado do mundo, tira a filha recém-nascida do berço para colocar junto ao peito e amamentar. Com quatro dias de vida, a pequena só foi liberada para tomar o leite da mãe nesta segunda-feira (20). “Minha primeira filha mamou por um ano e nove meses diretamente no peito. Eu não sei o que faria se não pudesse amamentar”, conta a mãe de 26 anos.
Gracie Carneiro, 22, mãe de Arthur, achou que chegaria no hospital sabendo tudo sobre os cuidados com o bebê, mesmo sendo mãe pela segunda vez. “Já fui mãe, então achei que não teria dúvidas. Mas não é isso que a gente percebe aqui.”

Gracie toma novos cuidados com a amamentação após o nascimento de Arthur. (Fotos: Rui Carlos)

Gracie toma novos cuidados com a amamentação após o nascimento de Arthur. (Fotos: Rui Carlos)

Tanto Gracie como Aline participam de ações realizadas pela equipe do Hospital Universitário de Jundiaí, as quais pretendem diminuir cada vez mais o uso de fórmulas lácteas na alimentação dos recém-nascidos. “É claro que existem crianças que precisam tomar por algum motivo específico, mas não é uma regra. É sempre importante lembrar que o leite materno é quase sempre suficiente para manter a saúde completa do bebê”, afirma a enfermeira Leslie Zonho que, ao lado do médico André Pradom é responsável pelo programa.
Até novembro do ano passado, em determinadas épocas, 90% das mães usavam fórmulas lácteas na alimentação dos bebês – número que já diminuiu para 35% em março deste ano. E a intenção é chegar aos 25% em breve. “O leite materno não só é importante na vivência mãe e filho ou no desenvolvimento da criança, mas também é importante na prevenção de diversas doenças dos mais variados tipos”, destaca André.
Segundo dados da Rede Internacional em Defesa do Direito de Amamentar (IBFAN), crianças amamentadas com o leite materno sofrem 68 vezes menos com doenças na infância do que aquelas que não são alimentadas no peito durante os seis primeiros meses de vida.

Desmistificar
Tanto André quanto Leslie são enfáticos ao afirmar que as mães chegam ao pré-natal ou após o parto já com muitas informações sobre a amamentação, mas que nem tudo o que se passa nas conversas familiares e entre amigas é o correto. “Na verdade cada bebê tem a sua particularidade. Não é porque você fez tal coisa na primeira gestação e deu certo que na segunda vai funcionar também”, reitera o médico André Prado.
Leslie Zonho lembra que os profissionais da medicina ou da enfermagem precisam desmistificar culturas. “Isso contribuía bastante para elevar o índice de fórmulas. Relatos de bico do seio rachado, leite empedrado e que o leite secou são frequentes. A equipe tem atuado nestas dificuldades”, conta.

 

 

Aline amamentou a 1ª filha por quase dois anos e quer repetir ato com Isabella. (Foto: Rui Carlos)

Aline amamentou a 1ª filha por quase dois anos e quer repetir ato com Isabella. (Foto: Rui Carlos)

Ações

A enfermeira explica algumas ações realizadas nos últimos meses. “Fazemos agora a visita diária da enfermagem, com atendimento específico às mães cujos bebês tinham maior risco de hipoglicemia ou dificuldade para amamentar. Na UTI Neo, implantamos o aleitamento a beira leito, no qual a mãe recebe auxílio para fazer a ordenha do leite e este é imediatamente fornecido ao bebê”, conta.
A enfermeira lembra também que o bebê precisa ser estimulado e paciência também é necessária. “Os bebês não nascem sabendo sugar o peito da mãe, precisam ser estimulados para adquirir essa habilidade. É um esforço conjunto. Felizmente estamos vivendo uma nova realidade, sempre pensando no melhor para a mãe e bebê”, pontua.


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