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Aficcionados por livros ainda preferem o papel

Ligia Andrade - especial para o JJ | 09/12/2018 | 09:30

Sentada em uma poltrona da livraria Leitura com os contos de Lygia Fagundes Telles em mãos, Bianca Steck, de 16 anos, deixa o celular repousado ao seu lado e cogita comprar mais um livro para sua coleção. Leitora assídua, conta que possui tantos livros em seu quarto que o espaço já não é mais suficiente para guardá-los. O número é impreciso: sabe que comprou dez em uma feira no ano passado, outros dez neste ano, além de outras aquisições que podem ser encaixadas na conta como impulsos não controláveis. O que não entra na conta, porém, são os tão famosos e-books.

Os livros virtuais, também conhecidos como e-books, vêm tomando lugar no mercado livreiro. Sem a necessidade de serem alocados em estantes e com um preço mais acessível ao consumidor, prometiam roubar o lugar dos livros físicos em breve. Leitores como a Bianca, porém, ainda se recusam a aceitar essa mudança e o consumo de livros físicos comprados em livrarias mostra-se crescente.

O administrador Emerson Moreira de Gois, 31 anos, tem preferência por livros religiosos e logo descarta a possibilidade de obtê-los on-line: “Não gosto de e-books. O livro é uma coisa física, e se torna uma parte de você”.

Fátima Rezende, psicóloga de formação e vendedora de livros por opção, diz que o apreço por livros físicos é difícil de ser superado. Segundo Fátima, os leitores gostam de pegar os livros, senti-los e até mesmo de cheirar suas páginas. A livraria Leitura, onde trabalha, parece ter a mesma impressão que a funcionária: após ser a pioneira de venda de livros virtuais em 1998, fechou o mercado de e-books há cerca de três anos e, hoje, oferece apenas livros físicos aos seus consumidores.

“A venda de livros on-line não atrapalha a venda de livros físicos, de jeito nenhum. Há mercado para os dois tipos, e eles ainda vão conviver por muito tempo”, garante Fernando Telles, gerente da livraria Leitura.

Em pesquisa realizada pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) durante o período de 2006 a 2017, o setor livreiro encolheu 21% após 2015. Já em 2018, a venda de livros cresceu 5,7% em número de exemplares vendidos e 9,33% em faturamento, números importantes e que expressam a saída do mercado editorial de um momento de crise.

Fátima comenta que os jovens começam a tomar posição de destaque no público alvo da livraria. Os livros young adults e de youtubers atraem a faixa etária que, embora conhecida como parte da geração que não tira os olhos da tela do celular, torna-se fiel aos livros físicos.

“Ela que me fez entrar aqui”, admite Erica Teodoro, mãe orgulhosa que aponta sua filha, Bianca Teodoro, de nove anos. Apesar de sua pouca idade, Bianca é vlogueira e já demonstra interesse pela leitura: gosta de ler desde contos de fada até livros de youtubers que hoje chegam ao mercado.
Entre os livros que mais saem, encontram-se os de Mário Sergio Cortella, Leandro Karnal, best-sellers e livros young adults, muitos dos quais possuem adaptações para o cinema e, assim, atraem grande público para as páginas escritas.

Questionada sobre livros young adults, Bianca Steck explica: “Eu comecei a ler com 10 anos de idade, minha mãe me deu ‘Minha vida fora de série’ e eu já viciei. Foi bom para esse período de transição entre livros de criança e livros mais complexos”. Dentre seus autores preferidos da literatura nacional estão, hoje, Lygia Fagundes Telles e Clarice Lispector.

Para este Natal, a venda de livros físicos deve dobrar, indica o gerente. A fidelidade quase inquebrável com livros materiais pode ser explicada por diversos motivos, como a maior credibilidade, a fuga da conectividade e a sensação do real em mãos, suficientes para que o conforto de adquirir livros sem precisar sair de casa seja superado.

 

 

 

 


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