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Agência Nacional sugere restrições e corte de água

| 07/10/2014 | 20:36

Com o Sistema Cantareira batendo recordes negativos – nesta terça-feira (07) registrou 5,6% da capacidade – a Agência Nacional de Águas (ANA) lança a proposta de que os rios que abastecem o interior do Estado, Atibaia e Jaguari, tenham suas captações reduzidas em prol do sistema da Capital e Região Metropolitana. Jundiaí, que está bombeando água do Atibaia para o Jundiaí-Mirim para manter o abastecimento da população, teria a outorga de captação reduzida e seria obrigada a interromper o fornecimento para residências e indústrias em determinados horários.

O racionamento obrigatório que atingiria cidades da Bacia Piracicaba – Jundiaí – Capivari (PCJ), segundo especialistas, seria usado como forma de evitar o colapso da reserva Cantareira. Na semana passada foi realizada reunião, em Campinas, entre representantes das cidades que se utilizam dos dois rios e, na ocasião, representantes da ANA sugeriram a redução de 20% para abastecimento residencial e de 30% para indústria e irrigação no volume diário outorgado. Além disso, seriam suspensas as captações das 7 às 12 horas para abastecimento e das 12 às 18 horas para indústria e irrigação.

Prazo encerra nesta quarta-feira – O prazo para que sugestões sejam encaminhadas termina nesta quarta-feira (08). Essas regras, segundo nota disponibilizada no site da ANA, “só serão validadas depois que a ANA avaliar as contribuições que serão recebidas até o dia 8”. De acordo com o consultor ambiental Alessandro Luiz Oliveira Azzoni, a medida prejudica diretamente a população do Interior. “Foi feita uma interligação entre as bacias Guarapiranga, Alto Tietê e Cantareira para que funcionem como caixas d’água interligadas. Tudo para manter o fornecimento para a Capital e Região Metropolitana. Esse desvio já causa transtornos para a hidrovia. As barcaças do Alto Tietê estão paradas. Postos de trabalho foram perdidos”, aponta.

Segundo o consultor, que também é economista e advogado integrante do Conselho do Meio Ambiente de São Paulo, as administrações contavam com a chuva de um país tropical para manter o abastecimento. “Em 2011 foi necessário abrir as comportas da Cantareira porque o nível estava acima de 100%. Agora essa água faz falta”, lembra. Azzoni ainda aponta a falta de desassoreamento enquanto não há chuva na represa, já prevendo uma ampliação de captação quando as águas retornarem.

Avaliação de proposta – Em nota, a DAE Jundiaí informa que representantes da empresa participaram de uma reunião da ANA que, preocupada em recuperar o Sistema Cantareira, apresentou uma proposta de resolução aos municípios que integram o Consórcio PCJ, excluindo neste instante a cidade de São Paulo, responsável pela maior parte do consumo de água do sistema. Neste momento, a DAE está avaliando a proposta para retorno até o próximo dia 13 de outubro, conforme solicitado pela ANA, buscando, em caso de ocorrência de redução de outorga, o menor impacto para a cidade.


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