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Aglomeração rola solta nos bares do Novo Horizonte

MÁRCIA MAZZEI | 16/06/2020 | 05:00

A cena se repete no bairro do Jardim Novo Horizonte, Vetor Oeste de Jundiaí, onde a população parece estar imune ao novo coronavírus (covid-19), embora continue ocupando a segunda colocação entre os bairros de maior incidência, com 118 casos positivos.

Mais uma vez pessoas aglomeradas, em sua maioria sem o Equipamento de Proteção Individual (EPI), ouvindo música alta, em frente a um estabelecimento comercial que, segundo o decreto municipal da quarentena, estaria proibido de funcionar.

Moradora na região há 10 anos, Maria das Candeias Barreto de Oliveira, conta que o descaso é mais comum do que parece. “Acho que é cultural. Aqui as pessoas acham que essa doença não existe. Os bares funcionam normalmente, as pessoas circulam e se aglomeram sem máscaras. Com esta história da garotada não ir para a escola, o que mais se vê são jovens menores de 14 anos pelas ruas”, descreve.

Em nota, a Guarda Municipal de Jundiaí informou que monitora os bairros onde normalmente ocorrem os pancadões, mas no último final de semana (12 e 13) contam que estiveram desenvolvendo ações de conscientização para evitar aglomerações no Jardim Fepasa, por exemplo, mas não informaram se houve ação no Novo Horizonte.

Já a Polícia Militar (PM) esclarece que tem atuado por meio da Operação “Paz e Proteção” como forma de coibir a aglomeração de pessoas para a formação de pancadões. A ação é realizada a partir de mapeamento de possíveis locais de evento e, dentro de critérios técnicos, direciona viaturas para saturar o local antes dos eventos.

FATOR SOCIAL
Para o sociólogo Lucas Forlevisi, é preciso cautela quando relacionamos a violação as medidas de prevenção à covid-19 às questões socioeconômicas. “O que vemos é uma maior repercussão quando casos de aglomeração ocorrem na periferia, mas sabemos que festas são realizadas em condomínios, dentro dos apartamentos e pouco ouvimos falar”, compara.

Forlevisi lembra que temos um incentivo declarado por parcelas significativas das autoridades públicas, que não só dão descrédito ao isolamento social, como não garantem a seguridade social. “As pessoas não ficarão em casa se estiverem socialmente vulneráveis”, explica.

No caso do entretenimento, o cenário é pior pois demonstra que a sociedade busca subterfúgios que contrariam a própria garantia da vida. “Via de regra os brasileiros adotaram o discurso da “imunidade seletiva” enaltecendo apenas àqueles considerados mais fortes viverão”, lembra. Para denunciar as aglomerações, o telefone da PM é 190 e a GM 153.


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