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Alimentos e gás lideram a lista de reclamações do Procon

Nathália Sousa | 01/05/2020 | 05:00

Desde o início da quarentena, o Procon-Jundiaí registrou 202 denúncias referentes a preços abusivos, inclusive algumas do mesmo estabelecimento. Segundo o Procon, foram realizadas 41 visitas e 21 estabelecimentos foram notificados a apresentarem notas fiscais de compra e venda dos principais produtos reclamados, principalmente feijão, leite, ovos, óleo e gás de cozinha.

Essas notas estão sendo analisadas para verificar se houve aumento abusivo de preços ou se os estabelecimentos já compraram os produtos com valor mais alto. O impacto dos preços atinge diretamente desde as famílias, que enfrentam a crise com índices altos de desemprego, até pequenos comerciantes de alimentos, que precisam abastecer padarias, restaurantes e lanchonetes, mas não conseguem repassar o aumento dos insumos aos consumidores, já que a situação não permite.

Esse é o caso de Guilherme Sibinelli, proprietário de uma padaria. Ele conta que percebeu aumento considerável no leite de caixinha, disponível para venda. Mas dá preferência ao comprado diretamente em laticínio para a fabricação dos pães e doces.

“Óleo aumentou cerca de 18%. O feijão teve o aumento mais grotesco, estava na casa dos R$ 3 e agora está na casa dos R$ 8. O ovo aumentou, mas percebo que por conta da demanda de consumo, lei da oferta e procura”, conta Guilherme.

O comerciante também comentou sobre a farinha de trigo, principal insumo de uma padaria. “A farinha subiu por conta do dólar, cerca de 19,5%”, diz.

Ainda assim, o comerciante conta que o principal impacto para seu negócio foi, de fato, a queda no movimento, cerca de 60% desde o início da pandemia. “O pessoal não vem por questão financeira mesmo. Não tem clima para repassar nada, a gente está segurando”, diz ele referindo-se aos preços dos produtos.

Os proprietários de um pequeno restaurante de comida saudável aberto há seis meses, Ademir Luis dos Santos e Lindalva Erotides de Lima, dizem ter sentido a diferença nos preços dos alimentos. “Um dia você vai comprar feijão e está num preço, no outro dia já está o dobro. A carne está impossível. Se você ganha R$ 200, gasta R$ 300 no mercado”, comenta ele.

Lindalva conta que, apesar do pouco tempo do negócio, já há uma clientela. “Independente do mercado, o preço está mais alto”, lamenta.

Sobre o preço do gás de cozinha, Ademir comenta que a intervenção da fiscalização no início dos abusos foi importante para frear o descontrole dos preços. Ele e a esposa precisam trocar semanalmente o botijão de 13kg. “Não dá para usar o botijão grande, custa mais de R$ 300”, diz ele.

FISCALIZAÇÃO
O Procon de Jundiaí não está temporariamente fazendo atendimentos presenciais, mas os canais de defesa dos direitos do consumidor continuam na ativa e registrando denúncias.

Através do número 156 e dos sites do Procon-Jundiaí e do Consumidor.gov.br é possível registrar reclamações sobre serviços e produtos que não se adequem aos direitos do consumidor.

Segundo o Procon, denúncias de estabelecimentos que estão abertos de forma irregular são apuradas pela Fiscalização do Comércio. A Guarda Municipal, junto à Fiscalização do Comércio, desde o início do isolamento, já atendeu a 63 reclamações de aglomerações de pessoas pelo telefone 153, além de 17 queixas de comércios não essenciais abertos.


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