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Amigurumi: a febre dos animais feitos em crochê

SIMONE DE OLIVEIRA | 22/12/2018 | 05:03

Coala, coelho, urso, porco e uma infinidade de animais são feitos pelas mãos ágeis e criativas de artesãs que têm usado e abusado das linhas de crochê e de tricô para confeccionar o que chamam de amigurumis. Criada no Japão na década de 1980, a técnica é utilizada para criar pequenos bonecos. Apesar da popularidade de bichos de pelúcia e bonecas, a técnica também é usada para criar objetos como utensílios domésticos e comida de características antropomórficas.

Na tradução, ‘ami’ significa tricô ou malha. ‘Nuigurumi’ é bicho de pelúcia em japonês. Em bom português amigurumi pode ser traduzido como bicho de pelúcia em tricô. E são estes pequenos animais que têm feito a diferença para muitos profissionais que encontraram nestas “doçuras”, uma ótima opção para reforçar a renda doméstica. Aos 70 anos, Maria Aurélia Costa se viu satisfeita em poder criar as peças. Desde menina sabe fazer crochê, mas resolveu aperfeiçoar a técnica quando soube dos amigurumis.

“Os mais pedidos são o leão, unicórnio e a vaquinha. Temos clientes com perfis variados. Alguns procuram os animais para presentear as crianças, outras querem algo mais específico, como temáticos ou até mesmo os bonequinhos de pessoas em miniatura”, comenta. Os preços são os mais variados e depende da quantidade de linhas, pontos a serem dados e o custo de todo material empregado. Algumas peças variam entre R$ 10 (como os chaveiros) e R$ 200 (bonecos).

E não é para menos. Cada detalhe da peça é pensado de acordo com as características dos clientes, em especial dos bebês, que são os que mais têm ganhado amigurumis como presente. Principalmente os recém-nascidos e prematuros, por conta dos benefícios que a técnica oferece. Os formato de polvo, por exemplo, dão mais conforto aos prematuros que ficam na incubadora dos hospitais justamente porque seus tentáculos que se confundem ao cordão umbilical. A prática começou em 2013, na Dinamarca, com o nome de projeto Octo. Os voluntários costuravam os polvos de crochê para doar para bebês em unidades de tratamento intensivo neonatais.

De lá para cá a técnica se espalhou pelo mundo conquistando adeptos. Uma delas, que uniu o útil ao agradável, foi a artesã Regina Marques do Prado, de 56 anos. A primeira peça foi justamente um polvo confeccionado para sua neta, que há um ano nasceu prematura. Assim começava um trabalho que lhe rende muitos elogios porque outros animais surgiram. “Eu já sabia fazer crochê então comecei a assistir vídeo aulas para aprender mais sobre as peças. Se eu pego firme em uma semana faço um animal, mas claro que têm alguns mais complicados”, comenta Regina que já tem muitos clientes.

A lã seis fios dá toda resistência às peças, mas o charme vem nos detalhes. Fitas, laços, olhos, além das cores vibrantes das linhas deixa a peça mais viva. “Minha filha tem ideias por conta da minha neta e vamos pesquisando e assistindo aos vídeos consigo produzir outros animais”, diz orgulhosa Regina que conta com a ajuda de sua outra filha, Natália Marques do Prado, para divulgação do seu trabalho.

Rui Carlos

Rui Carlos


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