Jundiaí

Ampliação de prazo para consignado é risco ao aposentado


2014-09-29_21-10-11_1
Crédito: Reprodução/Internet

Para conseguir reformar a casa, o aposentado Evaristo Silvestre da Silva, 77 anos, fez um empréstimo consignado no pagamento do benefício de aposentadoria concedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Comprou todo o material necessário e o filho arcou com o pagamento da mão de obra. Apesar de ter usado o dinheiro para uma boa causa, se arrepende do comprometimento de parte do benefício por 60 meses. Na tentativa de estimular a economia, o governo federal ampliou o prazo máximo para pagamento em 12 meses, saltando para seis anos de dívidas (72 meses). Para que o arrependimento não se transforme em dor de cabeça, especialistas alertam sobre o uso consciente do dinheiro.

“Eu fiz porque precisava. É um empréstimo doido. Ajudou na época, mas agora tenho o benefício, que é de um salário mínimo, comprometido em R$ 172. Se tivesse de viver com esse dinheiro não dava nem para pagar uma cerveja”, lamenta o aposentado. Ele não é o único.

O mercado de crédito consignado supera os R$ 70 bilhões, de acordo com dados divulgados no site do INSS. Esse tipo de empréstimo é atrativo aos bancos por ter uma das inadimplências (atrasos acima de 90 dias) mais baixas do sistema financeiro. As taxas máximas aplicadas na movimentação são de 2,14% ao mês.

Por esse valor, muitas vezes os aposentados são incentivados pelos parentes a tomar o dinheiro sem ter a real necessidade. “Muitos aposentados são vítimas de violência familiar e obrigados a pegar o empréstimo em benefício de parentes”, comenta Fé Juncal, diretora de Políticas Sociais da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí e Região (AAPJR).

Consumismo - Em todo o Brasil, 26 milhões de aposentados e pensionistas tomaram empréstimo através do sistema. Para o economista Messias Mercadante de Castro, a manobra do governo federal em ampliar o prazo dos consignados de 60 meses para 72 que entra em vigor a partir de amanhã, visa o aumento do consumo. “O governo insiste em crescer estimulando o consumo e o endividamento da população aposentada. Dessa forma não se cria poupança e não há recursos para investimentos”, alerta.

Castro argumenta que a medida pode não trazer os resultados esperados. “A população já está endividada e reduzindo o consumo de alimentos para pagar dívidas”, destaca.

Mais informações na edição impressa do Jornal de Jundiaí desta terça-feira (30) ou faça uma assinatura digital.


Notícias relevantes: