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Analfabetismo em crianças até 8 anos é de 4,2% em Jundiaí

GUSTAVO AMORIM - gamorim@jj.com.br | 17/03/2018 | 20:49

A taxa de analfabetismo entre as crianças com até oito anos de idade é de 4,2% em Jundiaí. O número foi confirmado pela prefeitura da cidade e remete às Escolas Municipais de Educação Básica (EMEBs), sob responsabilidade da administração municipal. No total, são 3.737 crianças matriculadas no terceiro ano do Ensino Fundamental. O Plano Nacional de Educação define que as crianças saiam desta série (por isso a idade ideal de 8 anos) já sabendo ler e escrever. Segundo o IBGE, no Brasil a taxa de analfabetismo nesta faixa etária é de 11,5% (quase o triplo da de Jundiaí). O percentual do estado de São Paulo não foi informado pela secretaria de Educação.

DIFICULDADE PARA ESCREVER RAFAEL RODRIGUES DA SILVA LUCIMARA BORGES RODRIGUES DA SILVA

Rafael, de 9 anos, ao lado da mãe Lucimara. Foto: Alessandro Rosman/Jornal de Jundiaí

Para Vastí Ferrari Marques, gestora da Unidade de Educação de Jundiaí (UGE), o número de meninos e meninas analfabetos é baixo. “É claro que a meta é que 100% das crianças estejam alfabetizadas, mas sabemos que esse nível é difícil por conta das crianças que têm maiores dificuldades”, diz. Vastí se refere aos estudantes com transtornos de aprendizagem. Das 158 crianças não alfabetizadas na cidade, 153 têm alguma dificuldade médica – déficit de atenção, depressão infantil, anemia, dislexia ou deficiência intelectual, por exemplo. “Não podemos ter nenhuma pressa com essas crianças. Cada uma tem o seu tempo de aprendizagem, o seu tempo de entendimento. Nesse momento é fundamental que a escola e a família trabalhem em conjunto”. A gestora explica como é o processo dentro das instituições de ensino a partir do momento que o professor nota dificuldades. “Quando os professores percebem que o aluno está ‘fugindo muito da régua’, destoando dos demais, tentamos outra abordagem. Se mesmo com outros processos pedagócicos a criança não assimila, chamamos a família e fazemos o encaminhamento para buscarmos uma avaliação mais criteriosa”, comenta. Vastí lembra que um simples exame de sangue pode apontar a anemia, por exemplo, que causa dificuldades de aprendizado – o que também pode ocorrer por alguma dificuldade na visão não percebida anteriormente. Para os alunos com dificuldades, a prefeitura também concede reforço na aprendizagem dentro da própria escola. É o caso de Rafael Rodrigues, de 9 anos. Ele já está no quinto ano do Ensino Fundamental e consegue ler, mas participou das atividades com as professoras da escola quando estava no 3º e 4º anos. A mãe de Rafael, Lucimara Borges, conta que o filho ainda tem dificuldades na escrita, mas que melhorou muito depois do reforço. “A gente brinca que teve sorte. As professoras ajudaram muito até para ele se sentir mais confiante. Até hoje elas são super boas com ele”, diz.

Vasti Marques, gestora de Educação: inauguração de duas creches em 2019 . Foto: Alessandro Rosman

Vastí Ferrari Marques. Foto: Arquivo/Jornal de Jundiaí

PROJETO
Vastí Ferrari Marques revela que, no próximo dia 22, vai apresentar aos diretores e diretoras das escolas municipais uma “carta de serviços”, a qual poderá ser utilizada pelas escolas como atividade extracurricular, como Educação Emocional, Jogos Matemáticos, entre outras. “Serão aulas mais voltadas à realidade”, conta Vastí. Cada uma das atividades extras terão 20 vagas em cada escola e as aulas devem começar em maio deste ano.

DIFICULDADES
A gestora da Unidade de Educação também comentou as dificuldades que a pasta passa atualmente. Segundo ela, Jundiaí teve uma lacuna na formação de docentes na última década. Uma das grandes preocupações de Vastí é que os professores atualizem os seus conhecimentos. Por isso, a administração municipal proporciona vários cursos de diversos tipos. Segundo a gestora, a grande maioria dos professores da Educação Básica está se atualizando até mais do que a obrigação legal, que é de cinco horas semanais.


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