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Aneurisma é doença silenciosa, e pode ser fatal em alguns casos

Mariana Checoni | 22/12/2019 | 06:20

A nova novela da TV Globo, Amor de Mãe, colocou em pauta uma doença que não é muito conhecida ou explicada. A personagem Thelma, vivida por Adriana Esteves, recebe o diagnóstico de um aneurisma cerebral e encara como uma sentença de morte. Contudo, apesar de perigosa, na maioria dos casos não é fatal.

A doença é caracterizada pela dilatação de um vaso arterial do cérebro, causando seu aumento e enfraquecimento de sua parede.
O neurologista da Faculdade de Medicina de Jundiaí, Richard Montgomery, explica que um aneurisma não é fisiológico. “Ele pode ser causado por aumento da pressão arterial ou uma má formação congênita que a pessoa apresenta desde a infância”, afirma.

O diagnóstico do aneurisma pode ser feito de três principais formas. Quando há um histórico na família, quando o paciente reclama de fortes dores de cabeça de característica pulsante e, no pior dos casos, quando ele se rompe. “Infelizmente, muitos diagnósticos só são feitos no momento em que o aneurisma se rompe. Isso pode levar a óbito dependendo do lugar em que ele estava, mas pode também ser tratado se a pessoa for levada ao hospital”, explica o neurologista.

Foi o caso de Tânia Ramires. Sempre sentia fortes dores de cabeça e os médicos diziam ser enxaqueca. Até que um dia, ele rompeu. “Levantei para ir trabalhar como todos os dias e senti um mal-estar. Caí no banheiro da minha casa. Fui socorrida pela minha filha e apresentei algumas convulsões no caminho para o hospital”, conta. O caso se tornou ainda mais grave, pois Tânia permaneceu 14 horas em um hospital de Cajamar sem socorro, até ser transferida para Jundiaí. “Tomei morfina para a dor até fazer um cateterismo, que constatou o rompimento de duas artérias. No dia seguinte, passei por cirurgia. Não tenho recordação nenhuma desse período. Só me lembro de levantar para ir trabalhar e acordar na UTI após a cirurgia”, explica.

Os médicos classificaram o caso de Tânia como um “milagre”, pois além de ter passado o longo período sem socorro, o aneurisma não deixou nenhuma sequela.

Ao contrário de Tânia, o caso de Sirlei Lourenço trouxe consequências. Sirlei ficou cega de um olho, mas, após tudo que passou por conta do aneurisma, considera uma consequência leve da doença. “Sofro por causa com isso desde 2011. A princípio fui diagnosticada com sinusite. Fiz tratamento por um tempo e as dores não passavam. Quando retornei ao médico, fiz uma tomografia que confirmou o aneurisma”, conta. Sirlei precisou fazer uma cirurgia aberta. No procedimento, foi retirada uma veia de sua perna para implantar no cérebro. A decisão foi difícil, pois as chances de sobreviver à cirurgia eram pequenas, mas tudo correu bem. Durante três anos, Sirlei viveu uma vida normal. Até que em 2017, em um exame de rotina, foi constatado que o aneurisma tinha voltado a crescer. “Em fevereiro desse ano, os médicos utilizaram uma cola, para impedir que entrasse sangue dentro do aneurisma. Até o momento, ele não cresceu mais. Continuo aqui lutando pela vida e esperando que não cresça ainda mais”, conta.

Montgomery ressalta que a principal forma de evitar um aneurisma é controlando a pressão, principalmente se o paciente tiver tendência a ter a doença. “O cigarro é um grande fator de risco. Além disso, colesterol alto, hipertensão, diabetes e sedentarismo são fatores que podem causar um aneurisma”, explica. (Mariana Checoni)

 


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