Jundiaí

Animais podem ficar estressados na quarentena


T_gatocapadom
Crédito: Reprodução/Internet
Não é somente os seres humanos que se estressam durante o isolamento social. Os animais de estimação também podem sofrer com a mudança de rotina, por conta da permanência maior de seus donos em casa. O gato da estudante de psicologia Beatriz Crivelari Polli, de 20 anos, se estressou com a quarentena dos seus tutores. Ela observou que Bartolomeu - nome do animal - estranhou bastante a nova rotina dela e do seu namorado. “O nosso gato sempre teve a própria rotina, como horário para dormir e comer. Com a gente em casa, ele teve que se adaptar e, no começo, parecia mais estressado. Ele ficava miando para nós e procurava nos acordar no horário que saímos para trabalhar”, lembra. Beatriz conta que é comum Bartolomeu sempre abrir os armários para dormir dentro e que nunca foi anti-social. “Às vezes ele se escondia embaixo do sofá para descansar, e parecia que queria se esconder de nós”, completa. Segundo o veterinário Everton Pereira Fernandez, não é comum um gato estranhar a nova rotina dos seus tutores. “Eles sofrem menos que os cachorros, pois são mais independentes, mas é bom colocar mais brinquedos para subirem ou até mesmo arranhadores”, descreve. Beatriz conta que nos últimos dias o gato já voltou a sua rotina normal. “Ele já está melhor, pois começou a subir mais nos móveis”, diz. O veterinário lembra que a dificuldade ou facilidade de animal se adaptar a nova rotina da casa depende de cada raça. Outro fator é que os animais não têm noção sobre o tempo. Ele passa um exemplo comum aos cães. “Um dia, um mês e um ano para eles é tudo igual. Pode fazer um teste, e perceber que eles fazem a mesma festa com a gente caso volte para casa depois de 10 minutos ou de duas horas. Sempre querem a atenção”, explica. A adestradora de cães Regina Aoki lembra quanto mais tempo ficamos perto dos pets, mais necessitam de alguma tipo atividade para não ficarem entediados. “No geral pensamos em atividade física, como andar na rua, mas a atividade mental é tão ou mais cansativa do que caminhar na rua. Então o que fazer por ele? Jogar bolinha, mas ele já enjoou daquela bolinha ou ele fica tão fissurado que, se você não brinca com aquela bolinha, ele fica desesperado”, conta. Para Everton o importante é interagir com animal para tirar um pouco da ansiedade que ele tem. “Normalmente usar brinquedos próprios para animais se divertirem. O ideal seriam os pets games que são tabuleiros onde os animais têm que fazer um caminho para chegar até a ração, ou bolinhas que têm comida dentro. Pode ainda com petiscos que deixam eles mais tranquilos, como um pet palito”, descreve. Ele ainda adverte que qualquer dúvida deve ser tirada por um veterinário. Brinquedos simples O adestrador de cães Edson Bala recomenda algumas brincadeiras simples, que não demandam muito custo e podem ser feitas com os animais. “Pode se fazer brinquedos interativos com uma garrafa pet, com quatro buracos pequenos, onde em cada furo passa apenas um grão da comida”, conta. “O animal empurra a garrafa e sempre que cair um pedaço da ração ele se alimenta e fica movimentando a garrafa para comer mais”, completa. Outro tipo de brincadeira que o adestrador recomenda é espalhar comida em vários locais da casa. “Isso faz o animal usar o faro e ajuda também a movimentar o animal”, comenta. Regina Aoki lembra que o momento que vivemos é algo temporário e que o animal pode sentir o efeito pós-quarentena “É importante termos uma relação de amizade equilibrada com o cachorro, e não de dependência. Um dia vamos voltar a trabalhar e eles, assim como a gente, podem sofrer”, diz. Ela recomenda que neste período, se for possível, deixar o animal sozinho por um período pequeno, sempre no mesmo horário e, com passar do tempo, aumentar a extensão do isolamento. “Ele pode comer brincar, comer ou mesmo dormir se ele quiser, é o momento dele”, completa.

Notícias relevantes: