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Aniversário da Lei Maria da Penha tem feminicídio e números alarmantes

FÁBIO ESTEVAM | 09/08/2019 | 05:00

Uma mulher foi assassinada pelo marido, outra foi salva por policiais quando seria atacada com um facão, e uma terceira vítima escapou de ser agredida depois que o marido ignorou uma medida protetiva concedida a ela pela justiça. Todas as ocorrências foram registradas na Polícia Civil de Jundiaí na noite de anteontem (07), dia em que a Lei Maria da Penha completou 13 anos. Nada disso, porém, surpreende a delegada da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), Renata Yumi Ono. “Os números mostram que a situação está mesmo complicada. E as mulheres ainda sentem muito medo em denunciar na polícia”, disse ela.

Levantamento feito pela delegada mostra que, em Jundiaí, aumentaram consideravelmente os casos de agressão contra a mulher neste ano em comparação com o ano passado. Para se ter uma ideia, nos seis primeiros meses de 2019 foram requisitados pela DDM à justiça 231 medidas protetivas em favor de mulheres vulneráveis a agressões, contra 148 do mesmo período do ano passado. Um crescimento de 56%.
Cresceram também os casos de feminicídio (um consumado e duas tentativas em 2019, contra duas tentativas em 2018); crimes sexuais (78 casos em 2019 contra 68 em 2018); lesão corporal (298 contra 237); ameaça, injúria e difamação (203 contra 144); e roubos, furtos e estelionato (27 contra 21). Nesse período foram registrados e apurados pela delegacia especializada um total de 1.254 casos de investidas criminosas contra a mulher, ante 1.072 ocorrências no primeiro semestre do ano passado.

Os números, contudo, poderiam ser ainda mais gritantes. “Infelizmente muitas mulheres ainda têm medo de registrar boletim de ocorrência das agressões que sofrem e deixam de colaborar com investigações, seja por medo de represálias, ou para não prejudicar o marido, fazendo com que ele perca o emprego. Além de outros motivos”, lamentou ela.

Feminicídio
No caso de feminicídio registrado na noite de anteontem na Rua Pereira Barreto, na Vila Arens, a delegada Renata Yumi disse que “não havia registros de boletim de ocorrência da vítima por conta de agressões anteriores”.

Segundo o boletim de ocorrência, a vítima Marilza Aparecida Maldonado dos Santos recebeu uma facada do Rubens Alves Pereira durante uma discussão. A própria vítima pediu ajuda a vizinhos que a levaram para o hospital, onde acabou morrendo.

Policiais militares foram até a residência do casal e encontraram o marido, que cuidava dos filhos. Ele ficou surpreso ao saber da morte da esposa e entrou em crise de choro, alegando que não imaginava que o golpe que deu ‘apenas para assustar’, pudesse matar a mulher.

Ele foi preso em flagrante, momento em que relatou que as discussões eram constantes, por conta do ciúme dela. Segundo ele, o fato de ela ser mais velha do que ele motivava as crises de ciúme.

Facão
Em uma casa no bairro Ermida, também na noite de anteontem, policiais militares atenderam uma ocorrência em que o marido agrediu a mulher com “alguns tapas” e ofenças. Quando os PMs chegaram ao local, flagraram o marido com um facão em punho, querendo agredir a mulher, sendo impedido por parentes dela que foram prestar socorro. Ele não ofereceu resistência à prisão.

No boletim de ocorrência consta que a mulher não vai processar o marido, tampouco quer que ele seja preso. Disse apenas que iria deixá-lo, indo para a casa dos parentes que a socorreram.

Medida protetiva
Também na noite de quarta-feira (7), guardas municipais atenderam ocorrência de descumprimento de medida protetiva na Rua Atílio Barros, no Bairro Novo Horizonte. Ele havia entrado na casa dela e fazia ameaças quando os GMs chegaram.

Os guardas precisaram realizar um cerco para deter o agressor, que tentou fugir subindo no telhado de casas vizinhas. Ele acabou detido. A vítima apresentou boletins de ocorrência de agressões anteriores, bem como a medida protetiva.

O agressor precisou ser socorrido ao hospital porque se feriu enquanto pulava pelos telhados. No hospital ficou a todo instante sob escolta. A prisão foi ratificada pelo delegado de plantão.


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