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Ansiedade atinge cada vez mais os jovens

COLABORAÇÃO DE MARIANA CHECONI | 24/03/2019 | 05:00

O coração acelera, as mãos ficam trêmulas, tenho enjoos, insônia e falta de ar.” Essas são as sensações de Leticia Pouza quando enfrenta uma crise de ansiedade. A jovem jornalista de 24 anos é exemplo de um mal que vem crescendo todos os anos, com a necessidade de tratamento para ansiedade nos jovens.
Letícia conta que percebeu que a ansiedade estava afetando sua rotina em 2015, mas só procurou ajuda em 2017. “A situação piorou porque era ano do meu TCC da faculdade. A pior crise aconteceu nesse ano. Após um desentendimento com meu pai não conseguia sair do quarto. Passei o fim de semana inteiro deitada na cama porque não conseguia levantar”, diz.
A ansiedade é uma doença que atinge cerca de 12 milhões de pessoas. Segundo o psiquiatra Ivo Pinfildi Neto, o aumento nos jovens ocorre por conta de diversos fatores como o uso das redes sociais, a pressão da família e a necessidade de ser aceito na sociedade. Fatores que causam conflitos em todos os jovens, mas em alguns geram problemas mais sérios. “As redes sociais aumentaram muito a velocidade de comunicação entre as pessoas. Isso causa uma cobrança muito grande em relação ao imediatismo. Os jovens sentem necessidade de acompanhar e responder tudo no mesmo instante e nem sempre conseguem. Isso pode gerar crises de ansiedade principalmente na fase jovem, que tem como característica a impulsividade e a vontade de explorar o mundo”, afirma
A doença é caracterizada por uma agitação interna mental ou emocional e é um comportamento normal do ser humano. Contudo, quando ultrapassa o limite e começa a afetar a rotina e as atividades da pessoa é preciso procurar ajuda médica.

Terapia
A psicóloga Renata Scartezini afirma que a terapia ajuda o paciente a entender quais os motivos que o levaram a desenvolver a ansiedade. “Geralmente a pessoa ansiosa não consegue identificar os gatilhos que causam crises de ansiedade. Muitas acham que se trata de algum problema físico por conta dos sintomas”, afirma.
Se necessário, o psicólogo encaminha o paciente para um psiquiatra, pois só ele pode receitar remédios de uso controlado. Ivo afirma que a necessidade de medicar o paciente ocorre quando as crises de ansiedade acontecem com frequência. “Se a pessoa apresenta os sintomas em períodos longos e eles persistem interferindo na vida e nas atividades comuns, é necessário o uso da medicação. Ela vai agir em alguns neurotransmissores responsáveis pela ansiedade e ajudará a controlar as crises. É importante lembrar que os remédios são uma forma rápida de ajudar, mas eles não curam. É necessário um trabalho maior com terapia e conversas com a família e a escola para que o jovem consiga se abrir e enfrentar os problemas”, conta.
Um dos problemas ocasionados pela ansiedade é a síndrome do pânico. Letícia Rezende, de 20 anos, foi um exemplo disso. Aos 16 anos, a jovem sofreu após passar por situações estressantes. “Fui assaltada no ônibus voltando da escola. Torceram meu braço e levaram meu celular. Um tempo depois, voltando de uma festa de táxi com meu namorado, fomos abordados por um homem que veio gritando e bateu a arma no vidro do carro. Por sorte o taxista não parou. Quando ele acelerou o carro, abaixei desesperada com medo de o bandido atirar. Depois de uns dias passei mal. Demorou para descobrirem o que eu tinha. Quando o diagnóstico veio, fiquei afastada seis meses da escola e tinha medo de fazer qualquer coisa sozinha. Tomo remédios que me ajudam. Hoje trabalho e faço faculdade, nunca mais tive outra crise”, afirma.

Alternativas
Além do uso de remédios controlados, alguns outros métodos podem ser utilizados. Renata Pedroso, hoje com 34 anos, começou a tomar remédios aos 20 e conta que teve que trocar diversas vezes. “O corpo acostuma e o remédio perde o efeito. Hoje faço acupuntura, que é ótimo, e me ajuda a controlar a ansiedade”, relata
Outros métodos mais simples também podem ajudar. Eles variam de acordo com a pessoa, mas alguns são exercícios de respiração, banhos, ver um filme ou ler um livro ou ainda praticar exercícios físicos.
É importante entender que ansiedade não é frescura e que cada pessoa enfrenta a situação de uma maneira. Segundo Pouza, cada um tem a própria batalha dentro de si. “A menos que estejamos no lugar da pessoa, não conseguiremos saber como ela se sente com relação a situação que está enfrentando. Só quem tem ansiedade sabe como é e o quanto afeta mental e fisicamente”, afirma.

ANSIEDADE LETICIA POUZA JORGE


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