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Aplicativo é obstáculo para auxílio

Nathália Sousa | 22/05/2020 | 05:00

O Auxílio Emergencial concedido pelo governo federal pode ser a salvação para muitas pessoas de baixa renda que estão sem trabalho neste período. No entanto, a solicitação feita exclusivamente através da internet dificulta o acesso das pessoas que não têm muita ‘intimidade’ com a ferramenta.

A assistente social Pérola Maria Dolce, de 68 anos, trabalha na Casa da Fonte, entidade assistencial localizada no Novo Horizonte que oferece suporte às pessoas que têm dificuldade para realizar solicitações de auxílios ou benefícios on-line. “Eu ensino a fazer, mas tem gente que não sabe nem ler e escrever, então precisa de uma ajuda extra. Muitos não têm celular e precisam pegar emprestado de alguém.”

Pérola ainda ressalta que há outros fatores que dificultam o acesso destas pessoas. “Costuma dar muito problema com o CPF, que é antigo. Mulheres fazem o documento e depois se casam e não mudam o antigo. Outro problema é quando a pessoa nasce, por exemplo, no dia 20 de janeiro, mas foi registrado só no dia 10 de fevereiro, aí você pergunta a data de nascimento e a pessoa não fala o que está no documento”, fala Pérola sobre os diversos fatores que, além da tecnologia, podem dificultar a solicitação do Auxílio Emergencial.

O vendedor de temperos José Sebastião da Silva, de 66 anos, mora com a esposa, Irene Santos Silva, da mesma idade. Ele recorreu à Casa da Fonte para solicitar o Auxílio Emergencial dele e da esposa já que agora não tem as mesmas vendas de antes. “O dela eu consegui, o meu ainda não. Pedimos quando começou, mas fica em análise e não sai. Mas o dela já ajudou bastante. Essa ajuda é bem-vinda porque precisamos do dinheiro”, reforça.

José conta que a esposa recebia aposentadoria, mas cortaram. Ele ainda precisa trabalhar um ano e meio para ter acesso ao benefício, mas diz que também vai a Casa da Fonte pedir ajuda para dar entrada no pedido. Moradores do Novo Horizonte, o casal não paga aluguel, mas precisa de recursos para pagar contas e comprar alimentos.

A manicure Maria José Cordeiro Filho, de 46 anos, também mora no Novo Horizonte e precisa de ajuda. Maria solicitou o auxílio para ela e para o irmão, que não recebe nenhum benefício, mesmo não podendo trabalhar. “Eu e meu marido usamos o mesmo celular, mas eu não sei fazer as coisas. Não sei mexer na internet”, explica.

Além dela e do marido, residem na casa duas sobrinhas, uma enteada e o irmão de Maria, que precisa de cuidados especiais. “O pessoal não anda pedindo para fazer as unhas e também eu preciso cuidar do meu irmão. Meu marido faz alguns bicos de pedreiro e de cabeleireiro”, diz ela.

Os dois aprenderam os ofícios de manicure e cabeleireiro na Casa da Fonte. “Esse dinheiro é muito importante. Não consigo internar o meu irmão e preciso ficar a noite toda vigiando ele.”


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