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Após 37 anos tombada, serra busca integração

Guilherme Barros | 08/03/2020 | 12:56

Com seus 191 quilômetros quadrados, abrangendo as cidades de Jundiaí, Cabreúva, Pirapora do Bom Jesus e Cajamar, a Serra do Japi vive o atual desafio de conter a sempre discutida especulação imobiliária no entorno, além da caça e exploração irregular. Apesar do cenário ser de tranquilidade na gestão, é unanimidade entre gestores e ambientalistas que continuar criando medidas de proteção é de fundamental importância para a preservação do pedaço virgem da mata atlântica no estado de São Paulo, e a conversa entre as cidades que detêm as defesas deste patrimônio verde tem que ser sempre alinhada, de forma constante.

Na última sexta-feira (6), uma cerimônia foi realizada para lembrar os 37 anos de tombamento da área de serra pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo). O espaço teve seu patrimônio oficialmente preservado em 1983, por meio do trabalho do geógrafo Aziz Ab’Saber, juntamente com ambientalistas e moradores do entorno. “Foi justamente com a iniciativa dos próprios moradores que ocorreu o tombamento. Hoje a Sera do Japi está totalmente protegida não só pra este ato, mas também pela Lei 417 de 2004, que cria o território e o conselho de gestão da Serra”, avalia o gestor da unidade de Gestão de Planejamento e Meio Ambiente, Sinésio Scarabello Filho. Existe, no meio da mata, um condomínio de chácaras e casas, loteado em 1977. “Hoje, se não tivéssemos este tombamento, a Serra teria sido totalmente loteada. “O nosso trabalho, junto com as outras cidades, é preservar este território exuberante em meio ao pleno desenvolvimento econômico”, continua o gestor.

Outro desafio é abranger uma área de fiscalização tão grande de maneira contínua. A Guarda Municipal de Jundiaí, que detém 47% do total do território de gestão, mantém dados atualizados com a corporação de Cabreúva, responsável por outros 43% da fatia. Juntos, eles mantêm bases fixas e, agora, com o avanço da tecnologia, também utilizam drones para contribuir com a fiscalização. “Hoje, graças à Divisão Florestal, temos uma Serra preservada. O combate visa a exploração irregular de madeira, construções clandestinas. A gente sabe que todos os órgãos têm suas deficiências, mas a Guarda Municipal realiza dia e noite o trabalho de preservação. A proposta é conscientizar aqueles munícipes que utilizam da serra que é o nosso patrimônio.”

Fundação
Instituída em 2015, a Fundação Serra do Japi fomenta ações e incentiva pesquisa científica, principalmente no que tange a reserva biológica. A fundação mantém uma base fixa de monitoramento, que varia desde identificação de novas espécies até a variação de temperatura. “A cada 25% de um hectare de mata virgem desmatada a temperatura do ambiente aumenta 1 grau Celsius”, comenta a superintendente da Fundação, Vânia Plaza Nunes, há mais de 20 anos ativista em meio ambiente. “Este estudo tem uma relevância enorme e o papel da Serra do Japi neste trabalho é de fundamental importância. A natureza tem um papel direto na vida da população e a Serra do Japi, no território de

Jundiaí, deve servir de exemplo de preservação para as cidades da região”, completa Vânia.

A cidade mantém um convênio com as principais universidades da região no que diz sentido a estudos científicos. O diretor do curso de ciências ambientais das Unesp Botucatu, Cesar Martins, destaca a importância da manutenção da parceria. “É um privilégio termos a Serra do Japi como sala de aula. Todos os anos trazemos os alunos para que vivenciem esta experiência na prática”, comenta.

“Hoje estamos tranquilos. A gente conversa sempre sobre um alinhamento e desenvolvimento econômico aliado ao meio ambiente, sempre respeitando a autonomia dos Planos Diretores. A gente tem uma ligação forte entre os prefeitos das outras cidades. Hoje estamos conciliados”, finaliza o prefeito de Jundiaí, Luiz Fernando Machado.


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