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Após alagamentos, preocupação agora é com as doenças

GUILHERME BARROS | 13/02/2020 | 05:00

Nos 12 primeiros dias de fevereiro, Jundiaí registrou o maior volume de chuvas dos últimos oito anos. Até agora foram 324 mm, 30% a mais do que a média histórica deste período, que normalmente gira em 270 mm. Diante do cenário de ruas alagadas, a exposição direta à água pode gerar doenças infecciosas e dermatológicas. A salmonella, por exemplo, é apenas uma delas.

Segundo o infectologista da Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ), Roberto Focaccia, a febre tifoide é causada por esta bactéria. Os sintomas começam a aparecer entre o período de seis e 30 dias após a exposição do corpo com as fezes humanas presentes em esgotos que transbordam e ficam expostas. “As queixas mais comuns desta doença são fraqueza, dor abdominal e dor de cabeça. Estima-se que mais de 150 mil pessoas desenvolvam a doença todos os anos no Brasil, principalmente em áreas onde o saneamento básico é precário”, explica.

Sem dúvidas, o maior risco é a leptospirose. A urina do rato, que normalmente reside em esgotos e bueiros, pode acarretar estas e outras doenças. “Os sintomas da doença são febre acima dos 39 graus, dor de cabeça intensa, dores musculares, espacialmente na região da panturrilha, falta de apetite e náusea. O que se recomenda é que em caso de febre depois de entrar em contato com água parada, correr imediatamente ao um hospital mais próximo. Quanta mais rápido o diagnóstico, mais eficaz é o tratamento”, enfatiza Focaccia.

DOENÇAS DE PELE
Outra preocupação nesta época é a exposição da pele com a água suja. “A doença mais comum nestes casos é o aparecimento da erisipela”, comenta a dermatologista Célia Antônia Xavier de Moraes.

A erisipela é contraída por até uma simples frieira. É uma condição inflamatória que atinge o tecido de células que fica debaixo da pele. As informações são da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). “Em casos mais graves ocorre outro caso conhecido como a celulite infecciosa. Esta pode causar até uma trombose e é necessária internação para que seja aplicado a medicação correta. Usar luvas e botas de borracha, usar água sanitária, tomar banho com água limpa e secar muito bem os vãos dos dedos dos pés e das mãos são algumas das recomendações.”

VACINAS
Algumas doenças, como a própria febre tifoide, podem ser evitadas. Assim como a hepatite A, também contraída pelas bactérias presentes nas fezes. “Normalmente o efeito desta vacina começa em torno de 14 dias após a aplicação. Mas é procurando o Pronto Socorro que você adota a conduta correta. Automedicação nunca é recomendada”, pondera Foccacia.


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