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Aposentados comemoram data com poucas perspectivas

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 24/01/2019 | 05:04

Previdência com seguidos reajustes inferiores à inflação; planos de saúde com aumentos cada vez mais abusivos; remédios, consultas e exames que consomem até metade da renda total; custo de vida cada vez mais caro e uma reforma que pode piorar ainda mais a situação. Este é o cenário atual enfrentado pelos mais de 80 mil aposentados atendidos pela agência do INSS de Jundiaí.

Em plena data comemorativa que celebra o Dia do Aposentado, neste dia 24, o contexto preocupa Fé Juncal, presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas de Jundiaí e Região. “Nossa região tem quase 100 mil aposentados e a maioria recebe apenas um salário mínimo, que teve um reajuste muito pequeno”, afirma.

Ela ainda reclama do reajuste feito aos que ganham mais que o mínimo, que ficou abaixo da inflação pelo segundo ano consecutivo. “Todos que ganham acima do mínimo saíram prejudicados”, lamenta. As aposentadorias tiveram reajuste de 3,3% em 2019, mas a inflação foi de 4,7%. “A impressão é que querem que todos recebam apenas o mínimo”.

Para a presidente, a possibilidade de uma reforma previdenciária nos termos acordados pelo ex-presidente Michel Temer – cujo conteúdo será reaproveitado pelo atual presidente Jair Bolsonaro – vai criar mais desigualdade na sociedade. “Querem colocar a culpa da situação econômica do país nos aposentados, mas isso não é verdade. Nós somos os primeiros a sofrer as consequências do problema econômico”, argumenta.

Fé ainda lembra que os preços dos medicamentos sofrerão um novo reajuste em abril, como todos os anos, e os planos de saúde estão cada vez mais caros. “Muitos aposentados estão abrindo mão de planos de saúde devido aos preços abusivos e estão migrando para o sistema público, que não tem condições de arcar com o volume de pessoas e é mal gerenciado”, afirma. “Jundiaí já teve sete hospitais que atendiam o SUS antigamente. Hoje a população é muito maior e temos apenas três equipamentos públicos de saúde”.

Segundo um levantamento feito pelo Núcleo de Pesquisa e Extensão da Faculdade de Doctum, em Vitória, o custo com a saúde chega a comprometer até 57% do orçamento dos aposentados em alguns casos. É o maior gasto desta população, seguido de alimentação e moradia, que consomem cerca de 20% e 15% do orçamento, respectivamente.

O cenário prejudica a qualidade de vida do aposentado, que fica com pouco dinheiro para aproveitar outros aspectos da vida, como o lazer e a cultura. Outra pesquisa, feita pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), revela que aproximadamente 21% dos aposentados voltam a procurar empregos para complementar a renda, geralmente em bicos e outros trabalhos informais.

Para Luiz Ricardo Martins, presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), investir em previdência privada pode solucionar parte do problema. “O brasileiro precisa criar uma cultura de poupar a longo prazo. Devido às mudanças no mercado de trabalho, que está cada vez mais informal, as entidades estão se modernizando e flexibilizando para atender este tipo de cliente e sua família”. O valor médio de benefício pago pelo setor hoje é R$ R$ 5.968.


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