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Arte gestacional é nova sensação em Jundiaí

SIMONE DE OLIVEIRA | 13/01/2019 | 14:03

Uma pintura que reflete qual a posição do bebê na barriga da mãe. Assim tem sido chamada a arte gestacional ou a Belly-painting (em inglês). Criada por uma parteira mexicana, a técnica chegou ao Brasil pelas mãos da artista plástica Itaiana Battoni, mas agora tomou proporções tão grande que há muitos profissionais se dedicando a arte de fazer pinturas na barriga: relaxamento e beleza unidos. (conheça mais da técnica logo abaixo).

A enfermeira obstetra Manoela Rodrigues, de 52 anos, fez seu primeiro curso de arte gestacional em 2016, durante o III Simpósio Internacional de Assistência ao Parto, em São Paulo, justamente com Itaiana Battoni. Desde então tem oferecido a técnica às gestantes que assiste: já foram pelo menos 20 barrigas pintadas.  “Geralmente são as próprias mulheres que escolhem os desenhos. Eu sugiro que me contem as cores que mais gostam, se querem que eu retrate a placenta, o cordão umbilical, ou se preferem outros desenhos como mandalas, flores, animais e ai vamos desenhando”, comenta.

Segundo Manoela, ela utiliza a técnica chamada Manobra de Leopold para mostrar para a mãe qual a real posição do bebê na barriga. Assim fica fácil fazer o desenho utilizando tinta à base de água e antialérgica. “Torna-se um encontro muito agradável não só para a mulher e familiares, mas pra mim também”, acrescenta.

A tatuadora Denise Lança de Moraes Zanetti, de 36 anos, resolveu se ingressar na arte gestacional e pintou sua primeira grávida, mas não descarta a possibilidade de continuar proporcionando este momento tão especial às futuras mães. “Eu fiz a pintura em uma amiga e cliente antiga. Conhecemos a maternidade de perto porque temos nossas próprias dores e lutas pessoais e hoje a vida nos proporcionou a felicidade de estarmos grávidas ao mesmo tempo. Revelar a minha gestação e saber da dela foi um momento único e comovente, e quando chegou a hora de divulgar a gravidez abertamente para todos, ela me procurou com a ideia e foi inevitável”, conta emocionada.

Ela acredita que outros trabalhos virão. “Quem trabalha e vive de arte, na grande maioria das vezes, tem uma afinidade natural com desenho e acaba, por consequência, desenvolvendo qualquer atividade artística com mais facilidade. É o meu caso, pelo menos”, diz Denise.

Aos 33 anos e com 20 semanas de gestação, a enfermeira Thiara Verena Santos Prado resolveu pela arte gestacional como uma maneira de contar a amigos e parentes sobre o sexto do bebê. O desenho foi feito no mesmo dia que saiu o resultado do ultrassom: felicidade para ela e para o companheiro Silvio Alves Neto. “Sem ninguém saber fiz o desenho, no mesmo dia do ultrassom, para comunicar a família e amigos que era um menino. Queria fazer algo diferente de um chá de bebê. Eu postei a foto no Facebook para que todos pudessem ver, inclusive meus pais e amigos próximos, que era um menino, nosso Arthur”, conta.

Como já conhecia o trabalho da Denise como tatuadora, sabia que o desenho ficaria perfeito nas mãos dela. “Mandei algumas fotos pra ela entender o que eu queria, mas deixei a arte por sua conta e ficou maravilhoso, principalmente porque o pai interagiu com o Arthur e ficou melhor do que eu imaginava.”

A empresária e doula Priscila Gabriela Ferreira optou pela arte aos oito meses de gestação. Ela teve seu bebê durante a produção desta matéria e disse que ficou emocionada quando viu o resultado do trabalho realizado pela enfermeira Manoela. “A arte é como uma conexão com o bebê e até mesmo com minha primeira filha que ama pinturas. Escolhi o desenho pensando em como o bebê estaria na minha barriga”, conta.

Priscila acredita que a arte é uma despedida da barriga. “Com a ajuda da enfermeira ou a doula você consegue localizar onde e como está o bebê. Acredito que seja uma forma de humanizar o parto’, diz.

MOMENTO ETERNIZADO
Difundida no mundo pela parteira mexicana Naoli Vinaver e no Brasil pela artista Itaiana Battoni, a técnica de pintura do bebê na barriga das mães é utilizado como método de indução e de relaxamento para mulheres que chegam em trabalho inicial de parto na unidade. A metodologia consiste em desenhar, com tintas atóxicas específica para pele, lápis de olho e pincéis, a criança na exata posição em que ela se encontra dentro da barriga da mulher.

O desenho ajuda as mães a compreender como está o bebê, onde estão os membros e órgãos, potencializando a conexão entre eles. A pintura é realizada por enfermeiras obstétricas e as cores são escolhidas pelas próprias mulheres e, em geral. Os acompanhantes são convidados a participar também, como estimulação do fortalecimento do vínculo.

A partir de uma técnica de carimbo, o desenho feito na barriga da grávida pode ser replicado em um tecido e impresso para se transformar em um quadro. Cada seção dura em média de 1h30 a 2 horas e a artista utiliza materiais próprios para pele como lápis, tintas e pancakes para maquiagem artística à base d’água. O trabalho custa em média de R$ 100 a R$ 200.

Há quem diga que a técnica apenas eterniza o momento, mas de acordo com depoimentos colhidos é possível avaliar que a arte gestacional é um momento de descoberta para a mãe sobre a posição exata do bebê; ajuda a relaxar durante o pré-parto; Estimula o fortalecimento do vínculo entre a mãe e o bebê; promove a aproximação entre a mulher e a equipe multidisciplinar; ajuda na indução do parto; e diminiu a ansiedade da mulher durante o trabalho de parto inicial.

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