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As professoras que fizeram história no 1º parque infantil de Jundiaí

Guilherme Barros | 23/02/2020 | 05:10

Quase 80 anos depois da inauguração do primeiro parque infantil de Jundiaí, na década de 1940, as primeiras professoras da instituição continuam até hoje se encontrando para relembrar um passado nostálgico e adorável. Foi daquela escola, instalada onde hoje é a Praça da Bandeira, atrás do Terminal Central, que inúmeros jundiaienses se alfabetizaram com o trabalho dessas mulheres. “Fomos nós e nossos alunos que plantamos todas aquelas árvores da praça”, garante uma das quatro primeiras docentes, Maria da Glória Pontes de Toledo. É no apartamento dela que as quatro se reúnem todas as semanas, há mais de uma década.

Mas há exceções para esta regra. Sharley Nanci Pires, de 83 anos, a mais nova delas, visita a anfitriã todas as tardes há 16 anos. “Eu fico me perguntando às vezes como a gente tem tanto assunto para pôr em dia”, comenta.
O primeiro registro que existe a respeito do parque infantil, que mais tarde daria origem ao que hoje é a pré-escola, data de julho de 1941, assinado pelo então prefeito de Jundiaí, Manoel Aníbal Marcondes. Ela levou cinco anos para ser concluída. Inaugurada em fevereiro de 1946, ela recebeu o nome do prefeito, que não viu sua inauguração. Ele foi assassinado em novembro de 1943, com três tiros por um militar do exército.

A escola seria a única a contar com serviços de alfabetização e primeiro aprendizado por longos 23 anos. “Àquela época, a alfabetização e a frequência escolar eram facultativas, mas muita gente queria aprender a ler e escrever”, comenta Vera Marília Brenna, de 90 anos. Instrutores de São Paulo vieram nos capacitar para que entendessem como era a metodologia de trabalho para com aquelas crianças.

O período era, já naquela época, integral. “Elas entravam logo cedo e, neste período, aprendiam a ler, escrever e as disciplinas regulares, como português, matemática, entre outras. À tarde, as atividades eram recreativas, como futebol, natação, artes, dança, música. Tudo isso era de graça oferecido pela prefeitura. As crianças saíam chorando à tarde porque queriam continuar lá”, continua Vera.

Vários foram os jundiaienses notáveis que passaram pelo parque infantil, como o ex-secretário de Educação de São Paulo, José Renato Nalini. “Havia a família Viana, de Jundiaí, que tinha dez alunos matriculados na escola. Fizemos uma linda homenagem para ela no dia das mães”, comenta Sharley. O delegado-titular da delegacia de polícia de Várzea Paulista, Marcel Fehr, e o juiz da Vara da Infância e Juventude de Jundiaí, Jefferson Barbin Torelli, são outros dos ex-alunos.

Derrocada

A nova metodologia de ensino, na década de 1960, fez com que a proposta de parque infantil fosse perdendo força. O surgimento da pré-escola, dividido com o ensino fundamental, mudou a forma de alfabetizar a criança. Em São Paulo, as escolas em período integral do estado passam a oferecer este serviço a partir do quinto ano.

Atividade continua
A força da união e do companheirismo atravessou décadas. Aposentadas há mais de 30 anos, apenas uma delas ainda exerce aquilo que fazia na escola. Aos 92 anos, a professora de artes Maria Cândida Giacomelli Stel ainda pinta quadros, coisa que ensinou uma infinidade de alunos que passaram pelas suas mãos. “É uma maneira de recordar aquele bom tempo e fazer com que o meu passe também”, finaliza.


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