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Asilamento precoce é desafio das políticas públicas para os idosos

BÁRBARA NÓBREGA MANGIERI | 11/01/2019 | 05:00

Evitar que a população mais velha seja colocada em Institutos de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) precocemente é um dos principais desafios a serem enfrentados pela sociedade e, consequentemente, pelo poder público. A opinião é do promotor da Justiça do Idoso em Jundiaí, Flamínio Silveira Amaral Junior. “Muitas vezes, quando o idoso está começando a desenvolver um problema de saúde, ele é colocado de imediato em um asilo, mesmo sem a real necessidade”, explica.

Nádia Taffarello, gestora da Unidade de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS), revela que o asilamento precoce é um problema mundial. “Temos os idosos independentes, os semi-dependentes e os dependentes, que às vezes precisam dos ILPIs. Mas muitas vezes vemos familiares colocando idosos semi-dependentes em asilos sem necessidade, seja por falta de tempo ou desconhecimento das alternativas”, afirma. “Existe a ideia de que os pais cuidam dos filhos e depois os filhos cuidam dos pais, mas sinto que as famílias precisam amadurecer essa responsabilidade. É preciso estimular as famílias para evitar o abandono e o asilamento”, complementa.

O estatuto do idoso estabelece que isso deve ser evitado. “Os Centros Públicos de Atendimento ao Idoso (CEPAIs) são excelentes alternativas, que podem ser ampliadas”, sugere Flamínio. “Considerando que a pirâmide populacional vai se inverter no país dentro de 20 anos e a população idosa será maior que a população em idade produtiva, é um investimento de médio a longo prazo”, conclui.

Nádia afirma que a Creche do Idoso terá outro Centro de Convivência, o que pode ajudar a solucionar o problema. “Quando o idoso convive com outros e recebe mais estímulo, é possível evitar uma dependência maior que leve à necessidade de asilamento”, diz.

O problema poderá ser debatido mais a fundo durante a 9ª Conferência do Idoso, que acontece em Jundiaí nos dias 14 e 15 de fevereiro. O evento, organizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (Comdipi), vai debater “Os desafios de envelhecer no século XXI e o papel das Políticas Públicas”. Segundo o advogado João Iotti, membro do Condipi, a conferência faz parte de um processo amplo de diálogo e democratização. “É o momento em que o Governo e a sociedade civil organizada se reúnem para decidir as prioridades dos próximos anos e traçar metas”, define.

Para o conselheiro, o atendimento na saúde e a mobilidade urbana são outros problemas enfrentados pelos idosos na cidade. “São questões que atingem todos os setores da sociedade, mas o idoso sofre mais. Jundiaí está tentando se adequar e é referência em políticas públicas para os idosos, mas ainda tem como melhorar”, diz.

A conferência vai debater quatro eixos principais: Os direitos fundamentais estabelecidos na Constituição Federal e a efetivação das políticas públicas; Educação para assegurar direitos e a emancipação humana; Enfrentamento da violação dos direitos do idoso; e O papel dos Conselhos de Direitos no controle social e na implementação de políticas públicas.

Rui Carlos

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