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Atletas utilizam simuladores para não perder a competitividade

Thiago Batista | 03/05/2020 | 07:00

Para não perder a forma técnica e a habilidade, os esportistas procuram driblar as restrições impostas pela quarentena da covid-19 da melhor forma possível. Alguns utilizam o vídeogame ou simuladores e chegam a participarem de competições para não perderem a sensação da competitividade.

Campeão o ano passado da Stock Car Light, o piloto de carros de turismo, Guilherme Salas, tem um simulador em sua residência que lembra um carro de competição, tipo F-Indy ou F-1, e com ele participa semanalmente de um campeonato que reúne outros pilotos do mundo real, como Rubens Barrichello, e pilotos que somente participam de corridas virtuais.


“Estou treinando no simulador para deixar a técnica mais aperfeiçoada e ainda no modo automático para quando for entrar na pista real esteja tudo calibrado”, diz.

Salas utilizava o simulador antes mesmo da pandemia, pois o equipamento, parecido com um cockpit de um carro, serve para ele se preparar para as batalhas que enfrenta em um final de semana nas pistas. “A grande diferença é que no virtual você usa o simulador para treinar para uma corrida do mundo real, onde existe limitações de treino no final de semana das provas. Treinar no virtual requer muito mais foco e serve como uma preparação psicológica”, explica.

No momento ele sente falta da adrenalina conseguida apenas quando sente as vibrações de um carro a mais de 200km/h. “Aquela adrenalina não sentimos muito no simulador, mas temos um nervosismo até maior quando estamos na pista na hora da largada. Quando estamos em uma boa disputa na pista sentimos aquela adrenalina de tão focado que estamos”, descreve.

VIDEOGAME
Outro modo para os esportistas não perderam o lado competitivo é usar o vídeogame para tentar não esquecer as técnicas e táticas que aprendem em quadra ou até mesmo manter o lado competitivo. Caso dos atletas do basquete Rafael Marangone de Oliveira, de 14 anos, e de Bruno Augusto Santos Silva, de 15 anos, ambos do Time Jundiaí.

Eles utilizam o jogo NBA 2K20 para não ficarem cada vez mais longe das emoções das cestas. “O simulador possibilita a gente estudar mais esporte, em especial as táticas ensinadas. Podemos colocar em praticar para nossa mente”, afirma Bruno.


Rafael opta pelo uso do notebook. “Jogar mesmo que no notebook me ajuda a manter a competitividade”, diz Rafinha, como é conhecido entre os companheiros de time.

Ambos lembram que o jogo virtual não reflete algumas situações que o atleta no mundo real sofre, como o desgaste físico de uma partida, com duração de aproximadamente 1h30min, e por consequência o cansaço. Bruno lembra que a emoção de um simulador é diferente de uma partida que ocorre em uma quadra com piso de taco.

“No virtual é possível sentir a adrenalina e a pressão, porém em níveis infinitamente menores do que se sente na quadra. Para os corações fortes, o simulador pode gerar emoção quando o jogo fica apertado nos momentos finais. Agora não tem como treinar apenas os momentos importantes onde o o atleta precisa aproveitar”, descreve.

Para Rafinha, quem é atleta de quadra e pega o controle para jogar no mundo virtual, já sabe as limitações que são oferecidas. “No simulador você pode fazer o que quiser sem sofrer as consequências, pois pode ser encarado como brincadeira, diferente de quando está em quadra, pois existe o frio na barriga e o medo de errar”, conta.

Apesar de estarem aproveitando muito o basquete no vídeogame, os atletas sentem falta da bola, do drible com os adversários e do movimento da bandeja antes de colocar a bola na cesta. “Eu não aguento mais ficar em casa sem pegar a bola e jogar”, diz Rafinha.

Bruno confidencia que sente bastante falta da convivência com os companheiros da sua equipe. “Sinto falta do barulho dos tênis raspando na quadra. Até saudade dos pesos na academia eu sinto. Estou ansioso para voltar a treinar logo.”


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