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Aumenta procura por cursos de tiro na Região de Jundiaí

VINÍCIUS SCARTON | 20/01/2019 | 05:30

A procura por cursos de tiro na Região e também na cidade de São Paulo aumentou nos últimos anos, principalmente com a campanha do então candidato a presidente da república, Jair Bolsonaro (PSL), sobre a possibilidade de flexibilizar a posse de arma.

Com o fim das eleições e a vitória nas urnas, uma das primeiras medidas do governo de Jair Bolsonaro (PSL) foi a assinatura do decreto no dia 15 de janeiro, cumprindo sua promessa.

Segundo o tesoureiro e gerente-geral do Clube de Tiro Atibaia, Anderson Akira Ando, desde janeiro de 2018 houve um aumento de 30% na procura pelo curso de tiro na unidade. “Com certeza, esse movimento foi motivado pela campanha de Jair Bolsonaro”, afirma.

Akira informa que grande parte dos novos frequentadores da unidade é formada por empresários e comerciantes. “O curso tem duração de oito horas e custa R$ 700,00, mais o valor da anuidade de R$ 800,00”, detalha.

Para ingressar no curso, o gerente-geral afirma que o aluno não pode ter antecedentes criminais. “O aluno terá o aprendizado com quatro armas de fogo: pistola, revólver, carabina e espingarda”, afirma.

Neste caso, a qualificação é desenvolvida por meio da parte teórica, que destaca o funcionamento do equipamento, regra de segurança e como se portar no clube e os alunos também aprendem sobre legislação básica. “Já na parte prática, o aluno aprende a manusear o equipamento, juntamente com um grupo formado por 15 pessoas”, ressalta.

Ao término do curso, Akira explica que os alunos recebem o certificado. “No entanto, daquela turma de 15 alunos, normalmente seis optam por dar continuidade no processo e adquirir a documentação, visando a compra de uma arma de fogo. Com o certificado de conclusão do curso em mãos e com a filiação ao Clube de Tiro, são necessários mais dois documentos até obter o direito de adquirir a arma”, comenta.

Akira afirma que o postulante terá a necessidade de passar por uma prova de capacitação técnica, juntamente com um instrutor credenciado pelo Exército e Polícia Federal. “Na sequência, será necessário um laudo psicológico também credenciado pelo Exército”, informa.

Com as três liberações principais, Akira detalha que o cidadão consegue dar entrada no Certificado de Registro de Atirador Esportista. “E quem aprova toda a documentação é o Exército, que concederá a liberação para o cidadão adquirir a arma. Tendo em vista que o custo de um revólver gira em torno de R$ 2.500,00”, diz.

Já o morador de Jundiaí e atirador esportista, Sergio Biscuola, que atua no Clube Piratininga – Perus, em São Paulo, acredita que em 2019 haverá um aumento na procura pelo curso de tiro, em virtude da exposição por parte da mídia. “Embora nos últimos dois anos, nossas turmas sempre estiveram lotadas”, confirma.

Biscuola detalha que as pessoas buscam o curso de tiro nesta unidade, devido a prática esportiva e também por defesa pessoal. “O curso é personalizado, tem o custo de R$ 600,00 e duração de um dia. São efetuados 100 disparos, com cinco armas diferentes: revólver, pistola semiautomática, duas carabinas com funcionamento distinto e espingarda calibre 12”, explica.

Segundo ele, o público é bem variado e nos últimos tempos a procura foi grande por parte das mulheres. “Neste caso, algumas delas são casadas e seus maridos possuem armas e elas ingressam no curso com o desejo de aprender a manusear o equipamento. Já o restante deste público busca o curso pela prática esportiva”, complementa.

Ainda como curiosidade, Biscuola detalha que no último Mundial de Tiro realizado em julho de 2018, na França, dos 34 brasileiros participantes, cinco eram mulheres.

Em geral, Biscuola afirma que as pessoas precisam ampliar o preparo técnico ao utilizar a arma em uma eventual situação de defesa. “É necessário que as pessoas tenham mais acesso a posse de arma, por meio de estandes de tiro, a fim de praticar, revisar o funcionamento da arma e renovar as munições”, comenta.

Biscuola disse ainda que Jundiaí contará neste ano com a Escola de Tiro que está com obras aceleradas e em breve será inaugurada.

ALUNA

A advogada Elisvânia Rodrigues Magalhães Fernandes, de 46 anos, foi aluna de Sergio Biscuola no curso de tiro. Segundo ela, a motivação primordial foi a defesa pessoal. “Eu moro em um bairro retirado em Jundiaí, o que dificulta o patrulhamento policial e por este motivo procurei o curso, a fim de saber todos os trâmites de obtenção para adquirir uma arma”, explica.
Elisvânia participou do curso no mês de agosto do ano passado. “Foi uma experiência sensacional, que inclui a parte teórica e prática, envolvendo questões de segurança e responsabilidade ao possuir uma arma de fogo”, recorda.

Sobre a posse de arma, a advogada revela que já deu entrada na documentação da Polícia Federal, com a intenção de obter a autorização. “O procedimento foi iniciado no dia 11 de janeiro, na Polícia Federal, por meio da apresentação de uma série de documentos exigidos para verificar a idoneidade, comprovar a residência fixa e o exercício de atividade lícita, aliado aos antecedentes criminais. A resposta da Polícia Federal ocorrerá no prazo de 30 dias e todo processo teve o custo de aproximadamente R$ 8 mil”, diz.

SOBRE O DECRETO

O presidente Jair Bolsonaro assinou na última terça-feira (15) no Palácio do Planalto o decreto que facilita a posse de armas de fogo.
Por meio deste decreto, o direito à posse é a autorização para manter uma arma de fogo em casa ou no local de trabalho (tendo em vista que o proprietário da arma seja responsável legal pelo estabelecimento).

No entanto, para andar com a arma na rua, é preciso ter direito ao porte, sendo que as regras são mais rigorosas e não foram tratadas neste decreto.

O texto do mesmo permite aos cidadãos que residem em área urbana ou rural manter arma de fogo em casa, desde que cumpridos os requisitos de efetiva necessidade, que serão verificados pela Polícia Federal.

A partir do cumprimento destes requisitos, o cidadão poderá ter até quatro armas, limite que pode ser ultrapassado em casos específicos.

Ainda com base no texto do decreto, também é previsto que o prazo de validade do registro da arma, hoje de cinco anos, passará para dez anos.

O decreto reforça que a Polícia Federal será responsável por autorizar ou não a concessão da posse. No entanto, não terá direito quem tiver vínculo comprovado com organizações criminosas, mentir na declaração de efetiva necessidade, agir como pessoa interposta de alguém que não preenche os requisitos para ter posse.

Além disso, o decreto mantém a proibição de posse de armas de uso exclusivo das Forças Armadas e instituições de segurança pública.

Por meio das novas regras, ficam estabelecidos os seguintes critérios para que o cidadão comprove efetiva necessidade de possuir arma em casa: ser agente público (ativo ou inativo) de categorias como: agentes de segurança, funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), agentes penitenciários, funcionários do sistema socioeducativo e trabalhadores de polícia administrativa; ser militar (ativo ou inativo); residir em área rural; residir em área urbana de estados com índices anuais de mais de dez homicídios por cem mil habitantes, conforme dados de 2016 apresentados no Atlas da Violência 2018 (todos os estados e o Distrito Federal se encaixam nesse critério); ser dono ou responsável legal de estabelecimentos comerciais ou industriais; ser colecionador, atirador e caçador, devidamente registrados no Comando do Exército.

Mas, ainda assim, as pessoas que quiserem ter arma em casa terão as seguintes exigências: comprovar existência de cofre ou local seguro para armazenamento, em casas nas quais morem crianças, adolescentes ou pessoa com deficiência mental.

Por fim, o novo decreto mantém inalteradas exigências que já vigoravam sobre posse de armas, como: a obrigatoriedade de cursos para manejar a arma; ter ao menos 25 anos; ter ocupação lícita; não estar respondendo a inquérito policial ou processo criminal; não ter antecedentes criminais nas justiças Federal, Estadual (incluindo juizados), Militar e Eleitoral.

 

 

 

 


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