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Bairros terão ponto de acolhimento a usuários

KÁTIA APPOLINÁRIO | 14/02/2020 | 05:00

O intenso tráfico de drogas em alguns bairros de Jundiaí tem gerado insegurança aos moradores. Um destes pontos está localizado na rua Idalina Gonçalves Dias, antiga rua Bolívia, considerado um dos principais pontos de tráfico de Jundiaí, fazendo divisa com o Jardim da Fonte, região Leste da cidade. Além do tráfico, há um terreno público localizado no Jardim da Fonte marcado pelo encontro de usuários de drogas. Há quem se refira ao local como uma “minicracolândia do interior”.

Para evitar este e outros pontos de aglomerações de usuários, a Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (UGADS) colocará em prática ainda neste mês um projeto de assistência local a esses usuários. De acordo com a diretora do Departamento de Proteção Social Especial da UGADS, Ariane Goim Rios, a ação vem sendo estudada desde agosto do ano anterior. “Pesquisamos em outros municípios o trabalho realizado em cenas de uso, que consiste basicamente em qualquer território que tenha concentração de usuários de drogas ou mesmo consumo de álcool. Notamos que aqui em Jundiaí a Ponte São João e a Vila Aparecida são regiões de maior concentração e por isso resolvemos fazer o projeto-piloto neste território considerado prioritário”, explica a gestora alegando que este será um grande desafio para o município.

O projeto, que ainda não foi oficialmente batizado, terá três eixos de atuação, que envolvem além do atendimento local, a capacitação e requalificação do espaço urbano. “O intuito não é o de “higienizar” o local. Precisamos humanizar o atendimento”, completa a diretora.

EM PAUTA
A primeira ação será a instalação de um contêiner no local com o intuito de gerar uma aproximação entre os órgãos públicos e os usuários oferecendo a eles toda a assistência necessária para saírem do tráfico. Neste contêiner será oferecido apoio psicológico, atendimento médico com enfermeiras e agentes de saúde, além de alimentação e encaminhamento para os órgãos específicos, quando necessário. “A ideia é oferecer o acesso a esses serviços para que posteriormente possamos estabelecer um vínculo. Aos poucos queremos ampliar isso para que eles consigam se movimentar até os nossos serviços”, explica a gestora ressaltado o apoio do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e das Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

O coordenador de Saúde Mental da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde, Alexandre Moreno Sandri, ressalta a importância de entender as reais motivações desses usuários. “A pessoa precisa se tratar, mas para chegar até o tratamento é preciso fazer muitas outras coisas para motivá-la. Nesse escopo, não existe uma solução única e por isso há a necessidade de entender essas pessoas e suas ações”, reitera alegando que a maioria das pessoas deixa o tráfico quando conquistam recolocação no mercado de trabalho ou ao restabelecerem seus laços familiares.

A equipe de reportagem do JJ procurou o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Leste de Jundiaí, órgão que atende a região, para entender quais são os trabalhos em prol da segurança realizados in loco, mas nenhum representante quis se pronunciar sobre o assunto.

Equipe de gestores da UGADS estuda a ação desde agosto do ano anterior

 

Projeto pretende acolher usuários de droga que frequentam a região da Vila Aparecida e Ponte São João, oferecendo comida, banho e demais atendimentos


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