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Bariátrica é cirurgia séria e pode trazer consequências

SIMONE DE OLIVEIRA | 22/09/2019 | 15:02

O número de cirurgias bariátricas no Brasil aumentou 84,73% em sete anos, passando de 34.629 em 2011 para 63.969 em 2018, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Metabólica e Bariátrica (SBCBM). É um índice relativamente importante. já que o número de obesos já chega a 18,8% da população brasileira, segundo a Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel).

Tratada pela sociedade médica como uma questão de saúde, não somente como estética, a obesidade faz com que muitas pessoas partam para as cirurgias bariátricas para a reduzir o peso. Porém é preciso se informar sobre as causas e os efeitos do procedimento, principalmente no período pré-operatório.

Segundo explica o cirurgião do aparelho digestivo e de bariátrica, Arthur Avelino Vieira Oliveira, há casos em que as pessoas passam pela cirurgia e não emagrecem, e isto ocorre por diferentes fatores clínicos.Por isso, um trabalho multidisciplinar antes da operação é muito importante. Ir para a mesa de cirurgia apenas quando a obesidade afetar a saúde, ou seja, quando o paciente apresentar, entre outros quadros, hipertensão, diabetes tipo 2, e até depressão.

“O sucesso no resultado de uma operação depende muito dos hábitos de vida deste paciente. Como ele vai se comportar depois do pré-operatório será importante para que tenha o resultado que esperava”, alerta o especialista.

O cirurgião comenta que há casos em que as pessoas perdem a compulsão pela comida, mas começam a focar em outras, como no fumo e nas drogas. “Todo trabalho de acompanhamento é importante, porque qualquer cirurgia é de risco. Há uma perda no tamanho do intestino, então ela não vai comer o que comia antes, porém, para que entenda esta mudança é preciso que tenha um acompanhamento e lembre que a mudança de hábito é essencial para o sucesso do procedimento”, alerta.

DETERMINAÇÃO
Para quem encarou uma mesa de cirurgia lembra que o caminho não é fácil, mas compensa, desde que haja entendimento sobre a mudança total de vida. Foi o que aconteceu com a funcionária pública Graziela Piccolo, de 40 anos. Pesando 112 quilos, ela resolveu encarar a mesa de cirurgia em 2007. Apesar de eliminar 40 quilos, passou por restrição alimentar, queda de cabelo e teve anemia.

Ela conta que antes da operação fez várias dietas, sem sucesso, mas como tinha alguns problemas físicos, e até mesmo um cisto no pé que a impedia de andar, a operação foi a saída. “Na época, meu médico explicou que o cisto surgiu em consequência do meu peso e por isso decidimos pela operação. Foram seis meses entre esta conversa e a cirurgia em si porque precisei passar pelo cardiologista, psicólogo e nutricionista”, comenta Graziela.

Para ela, fazer a operação foi a melhor decisão, mas não esquece que algumas restrições são necessárias, principalmente alimentares. “No início não conseguia comer e até hoje minha alimentação é balanceada. Antigamente eu comia um lanche grande e ainda queria mais. Hoje em dia como metade com sacrifício.”

Para a consultora e assessora trabalhista Renata Lazarini, de 38 anos, não foi diferente. Pesar 116 quilos em 2014 era mais que um problema estético. A pressão alta identificada durante uma consulta com seu cardiologista foi o ponto que faltava para tomar a decisão pela bariátrica.

Foram 46 quilos eliminados, mas ela confessa que precisou aprender um novo estilo de vida. Hoje tem hábitos bem mais saudáveis e sabe que a cirurgia não resolve a obesidade, mas ajuda a começar um novo ciclo de vida.

“Eu nunca me importei com o peso, sempre me vesti bem, tive muitos amigos, namorados, nenhum problema de saúde. Confesso que fiz diversas dietas, pois queria muito emagrecer também pelo padrão social de beleza, mas sempre voltava a engordar. Durante uma consulta de rotina, um cardiologista identificou início de pressão alta e necessidade de uso de medicação contínua. Então comecei a pensar nos problemas de saúde que ainda poderia enfrentar e foi então que optei pela cirurgia.”

Ela conta que depois da cirurgia não precisou tirar a vesícula, porém, continua com suas ‘pedras’ nos rins e, quando a crise aparece, tem o hábito de tomar alguma medicação intravenosa, uma vez que não consegue absorver os comprimidos. “A pessoa precisa entender que a cirurgia não resolve o problema. Conheço dezenas de pessoas que engordaram novamente. A bariátrica diminui o estômago, mas a mente somos nós que mudamos.”

O presidente do SBCBM, Admar Concon Filho, lembra que a obesidade deve ser encarada como uma doença e as pessoas podem ter a qualidade de vida afetada por hipertensão arterial, diabetes tipo 2, alterações do colesterol e triglicérides, além de aumentar as chances de arteriosclerose, além de outras patologias.

“Algumas pessoas não têm acesso, seja pelo local onde moram, por não terem convênio médico ou outros motivos. Outras têm medo de fazer o procedimento e outras não têm informação mesmo ou ainda falta ao obeso se reconhecer como portador de uma doença crônica incurável”, orienta.

Ainda de acordo com dados da Vigitel, das 63.969 cirurgias bariátricas realizadas em 2018, 77,4% foram através de convênio médico; 17,8% foram pelo SUS (Sistema Único de Saúde) e 4,8%, com recursos particulares.

A funcionária pública Graziela Picolo, de 40 anos, precisou mudar seu hábito almentar para ter saúde

Pesando 112 quilos, ela resolveu encarar a mesa de cirurgia em 2007 e eliminou 40 quilos

 

 

 

 

 

 

 

 

Renata Lazarini fez a bariátrica em 2014

e eliminou 46 quilos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em Jundiaí a referência é Unicamp

Em Jundiaí a referência para cirurgia bariátrica ocorre por meio da Secretaria Estadual de Saúde, através da regulação executada pela Diretoria Regional de Saúde (DRS 7), para o Hospital da Unicamp. A Unidade de Gestão de Promoção da Saúde comenta que a cirurgia é uma das possibilidades para o tratamento da obesidade, porém, não o único.

O município faz ações de promoção de hábitos saudáveis, como incentivo à atividade física e à alimentação saudável, por meio de atendimento coletivo e individual em dez grupos, que não são exclusivos para obesos, nas Unidades de Atenção Primária (UBS/PSF).

A UGPS também oferta atendimento multidisciplinar, com fisioterapeuta, educador físico, psicólogo e nutricionista, nas Unidades de Atenção Primária a Saúde (UBS/PSF), e atendimento com médico endocrinologista e nutricionista na Atenção Especializada (Ambulatórios).


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