Jundiaí

Barracos e dependentes voltam à Vila Aparecida e Jd. Fepasa


CRACOLANDIA PROXIMO A PREFEITURA JARDIM FEPASA
Crédito: Reprodução/Internet
O bairro Jardim Fepasa, que fica ao lado do Sesc Jundiaí, teve aumento relevante de dependente químicos e população em situação de rua. De acordo com os moradores, devido ao bairro ficar no caminho do trem, eles caminham pelos trilhos e escolhem montar suas barracas no bairro, por ser em baixo do morro ao lado do paço municipal, onde podem se esconder da fiscalização. "Vemos muitos dos moradores de ruas e drogados vindo do Centro, pelo caminho do trem. No morro tem bastante mato, onde eles podem se esconder. Acredito que por esse motivo montam suas barracas ali", comenta um morador que pediu para não se identificar. Muitas famílias vivem no bairro e os pais se preocupam pela proximidade que as crianças podem ter com os usuários de drogas que perambulam pelo local dia e noite. Bruna Torquato, residente do bairro há anos, explica que a situação não agrada a ela e nem aos vizinhos. "O número de drogados aumentou de uma forma que a gente nem acredita. É ruim pois muitos deles passam na rua falando palavrão. Às vezes, quando minha filha vê, ela fica curiosa e pergunta. Ninguém aceita o fato deles estarem aqui, mas a gente não pode expulsar. Várias vezes a polícia desmontou as barracas irregulares que eles fazem, mas sempre voltam", explica Bruna, que se preocupa com a filha de 7 anos. Outro bairro que sofre com a presença dos dependente químicos e moradores de rua é a Vila Aparecida. Em novembro de 2018 uma operação da Guarda Municipal de Jundiaí, em parceria com a Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (Ugads), fechou temporariamente o espaço que servia como cracolândia. Porém, em menos de um ano, os usuários de drogas e moradores de rua voltaram para o local. Valéria Negri, 62 anos, moradora da Vila Aparecida há 30 anos, lamenta a situação do bairro. "É complicado, quando me mudei pra cá, há 30 anos, o bairro era tranquilo. Agora, tem vários barracos improvisados no morro. Uma vez a prefeitura os tirou, mas eles não vão embora. A maior parte rouba, usa drogas e briga. Você não pode deixar nada aqui fora, até as torneiras são de plástico, porque eles levam tudo", reclama a moradora. De acordo com Valéria, a situação do bairro já era preocupante por conta do tráfico de drogas no São Camilo, mas hoje os moradores vivem com mais insegurança e medo. "Sempre teve o problema do São Camilo com drogas, mas era uma coisa mais distante. Agora se tornou muito perigoso", ressalta a moradora. Luana Fernandes, também moradora do bairro, estava ontem com sua filha Isabela, de 9 anos, indo buscar a filha mais velha na escola, e confirma que a situação do bairro é preocupante. "Não mudou nada, eles saíram das avenidas principais, mas continuam aqui, não mudou nada. Moro no bairro desde quando nasci. Antigamente as portas ficavam abertas, todo mundo era amigo. A minha filha mais velha tem 11 anos, está no ensino municipal e a escola é um pouco mais longe. Tenho medo de deixá-la ir e vir sozinha", explica Luana. Ainda segundo a moradora, ela costuma combinar com os vizinhos de não dar nada para os moradores de rua e viciados, pois assim eles não voltam a pedir e ficam afastados das residências. Luana trata os dependentes químicos e moradores de rua como "noias" e diz que é assim que os seus vizinhos também os chamam. Ela acredita que muitos deles são provenientes de outras cidades. "Ja ouvi uma vez duas ‘noias conversando, uma dizendo que era de Salto e a outra era de Itu, acho que tem muitos vindo de outros lugares pra cá", conclui a moradora. De acordo com a Prefeitura de Jundiaí, a Fundação Municipal de Ação Social (Fumas) faz visitas regulares aos núcleos assistidos e que o setor de Contenção também atua conforme denúncias. Além das visitas a Unidade de Gestão de Assistência e Desenvolvimento Social (Ugads), ressalta que Jundiaí mantém rede estruturada de serviços para o atendimento a pessoas em situação de rua. Os serviços buscam promover o acesso destas pessoas à rede de serviços socioassistenciais para que eles iniciem o processo de saída das ruas. Porém, explica que não é obrigatório, e o morador de rua não pode ser coagido a ser levado para um abrigo. Quando há recusa, são apresentadas às pessoas em situação de rua as opções disponíveis e entregues agasalhos e cobertores, no caso da Operação Noites Frias.

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