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Caminhoneiros começam a sentir os efeitos do isolamento

Thiago Batista | 28/03/2020 | 05:00

A rotina dos caminhoneiros não mudou muito desde a notícia do isolamento social devido a pandemia do coronavírus. A única dificuldade encontrada pela maioria é quanto à alimentação. Muitos restaurantes, lanchonetes e lojas de convivência permanecem fechados e opção de muitos deles é procurar pelos pontos de apoio distribuídos ao longo das rodovias.

Caminhoneiro há 20 anos, Admim Rodrigues, de 35 anos, relata a dificuldade em encontrar alimentos saudáveis e produtos de limpeza. “Fui entregar uma carga em Bauru e encontrei quase todos os pontos de alimentação fechados. O único aberto tinha apenas pão de queijo. Comi junto com um café e ainda paguei R$ 10. Tenho que ter meu próprio álcool gel, mas não tenho encontrado.”

O gaúcho Cássio Voese, de 38 anos, contou um dia com o carinho da população. Trabalhando na profissão há seis anos, ele reclama do preconceito que sofre. “Acham que a gente está infectado. Em um local que estou sempre podia subir no departamento financeiro, mas na última semana impediram porque acham que estou infectado. Em uma das viagens vieram me entregar marmitex para eu comer”, disse o motorista.

Com 18 anos dedicados aos caminhões, Cláudio José Bento, de 51 anos, tem procurando reforçar a sua alimentação no café da manhã para não passar fome. Ele precisou mudar alguns hábitos, entre eles, levar o próprio almoço. “Estou trazendo uma marmitex de casa para comer caso necessário. Tenho cuidado de sempre lavar as mãos e agora cada um fala com o outro da cabine do seu próprio veículo”, diz.

Márcio Real de 41 anos, é caminhoneiro há 22 anos e passa toda a semana fora de casa, mas nunca se desliga das notícias sobre o coronavírus. Procura se informar através do seu celular assistindo aos canais de televisão ou vendo os portais de notícias. “Ligo direto para minha esposa, que está junto com os meus filhos confinados em casa. A preocupação é com meu filho mais velho, pois ele não gosta de ficar muito em casa”, completa.

Pontos de parada

Os caminhoneiros na região de Jundiaí encontram pontos para descansar.
– Rodovia Engenheiro Constâncio Cintra: km 62, 67 e 75 no sentido Jundiaí e o km 84 no sentido Itatiba
– Rodovia Romildo Prado: km 2 no sentido Jundiaí
– Rodovia João Cereser: km 69,5 no setor Oeste
– Anhanguera: km 60, 64 e 65 na pista Sul, e km 67 na pista Norte
– Bandeirantes: km 58 e 68 na pista Norte e km 56 e 64 na pista Sul

Liberação

O governador de São Paulo João Doria anunciou ontem (27) que os postos de pesagem de caminhões e ônibus serão liberados para parada de descanso de caminhoneiros e outros motoristas profissionais. Doria também decidiu liberar a circulação de caminhões aos finais de semana nas estradas que dão acesso à Capital. A suspensão já está em vigor e tem duração prevista de 30 dias, com possibilidade de prorrogação.


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