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CAPS registra aumento de 42% nos atendimentos de 2019

SIMONE DE OLIVEIRA | 28/06/2019 | 05:01

O Centro de Atenção Psicossocial – Álcool e Drogas (CAPS- AD), equipamento da Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), com atendimento de demanda espontânea para usuários de álcool e drogas, registrou, só nestes cinco primeiros cinco meses de 2019, 17.034 atendimentos, com 568 novos casos. Um aumento de 42% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando foram registrados cerca de 12 mil atendimentos, sendo 644 novos cadastros. Entre os novos casos, o aumento foi de 13% este ano.

Os números, segundo o coordenador de Saúde Mental da UGPS, Alexandre Moreno Sandri, mostram que muitas pessoas em vulnerabilidade social, ou suas próprias famílias, têm procurado ajuda para enfrentar o vício que já se tornou um problema de saúde pública. A maioria das pessoas que procura ajuda é de homens e jovens, na faixa dos 20 aos 49 anos.

“A proposta da unidade é ampliar a possibilidade de vida desta pessoa usuária de drogas e dar condições para que ela não tenha mais perdas afetivas. O importante é dar apoio para que retorne ao convívio social e tenha qualidade de vida. Estar internado ou não, independente do tempo que fica em tratamento, depende muito de seu estado clínico”, comenta.

UMA ESPERANÇA
O atendimento no CAPS- AD é o que a unidade de saúde chama de ‘porta aberta’, ou seja, quando a pessoa procura ajuda livremente. Porém, os atendimentos acontecem também por encaminhamentos, via Unidade Básica de Saúde (UBS), Hospital São Vicente de Paulo ou até mesmo pelos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS).

E foi para procurar ajuda que a família de Jorge Felipe Cinachetti, 24 anos, chegou até o CAPS. Desde os 15 anos viciado em drogas, ele conta que chegou a passar dias longe de casa, dormindo na rua e sem nenhum tipo de conforto.

Começou com a maconha, e ao longo dos anos passou pelo crack e pelo álcool. Agora em tratamento quer apenas voltar a conviver bem com a família e ser orgulho para sua filha. “Eu tive momentos de vacilo e voltei a fumar, mas quando parei, comecei com o álcool, Agora estou há quase dois anos sem nada e tenho certeza que vou conseguir me recuperar, apesar do medo de ir para a rua e fraquejar”, diz Jorge.

Segundo ele, é preciso muita força de vontade para parar. “Não queria que minha filha me visse feio e sujo. Tenho que me recuperar por ela”, conta Jorge, que está em tratamento na unidade.

O coordenador não fala em índices de reincidentes, mas enfatiza que o trabalho dos profissionais durante o tempo em que este usuário fica em atendimento, seja internado ou não, é para que retorne à sociedade sem cair no vício novamente. “A proposta é estabilizar a crise e o risco de um retorno ao vício da droga ou do álcool. Aliás, este é um dos mais agravantes que temos percebido de nosso público”, destaca.

A unidade trabalha com o que chamam e hospitalidade noturna, quando este paciente passa a noite ou fica internado pelo tempo necessário, segundo seu tratamento. “Atendemos um público só de Jundiaí. Há momentos que estamos com o quadro lotado, e quando há necessidade temos alguns parceiros, como leitos no São Vicente”, diz Sandri.

O CAPS-AD fica na avenida Professor Giácomo Itria, 393, Anhangabaú. Informações pelo telefone (11) 4522-4277.

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