Jornal de Jundiaí | https://www.jj.com.br

Cardíacos evitam idas ao hospital

Nathália Sousa | 18/06/2020 | 13:03

Os dados do Hospital São Vicente revelam que pacientes que deram entrada na emergência com sintomas que podem ter relação com infarto, como taquicardia, hipertensão e dor torácica caiu cerca de 50% neste período de pandemia. Entre abril e maio do ano passado foram 115 entradas com estes sintomas, este ano foram 60 registros. As pessoas que fazem parte do grupo de risco para a covid-19 temem pelo contágio e por isso evitam sair de casa.

O cardiologista Wagner Ligabó relata que esta queda é um reflexo em várias unidades de saúde. “Percebemos a redução de 50% nos atendimentos de infarto e 70% nos cateterismos feitos no São Vicente”, diz.

Ligabó explica que nesta época de inverno e de viroses, que baixam a imunidade, os infartos aumentam. “Muitas pessoas que têm comorbidades morrem por causa do coronavírus e isso assusta. Só eu tive três pacientes que tiveram dor no peito e morreram em casa”, lamenta.

O médico lembra a importância do acompanhamento para quem precisa. “Você não pode esquecer de cuidar das doenças. Eu estou atendendo pessoas que precisam de acompanhamento, que têm de ir ao médico, vão de máscara, usam álcool em gel e não falam durante a consulta. É correto ir ao médico quem precisa, mas não fazer turismo médico”, esclarece.

FORA DO HOSPITAL

Com diabetes e hipertensa, Neuza Gobetti, de 69 anos, precisa de acompanhamento, mas não consegue marcar consultas na Unidade Básica de Saúde (UBS) do seu bairro. Segundo ela, apenas recebe alguns medicamentos e vai para casa. “A gente evita sair na rua, mas precisa ir ao médico. Sou aposentada, passei mal esses dias e tive que pagar consulta particular para poder ser atendida”, reclama.

De acordo com a Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS) os médicos das UBSs e as equipes de saúde realizam um telemonitoramento, via telefone, dos pacientes crônicos, como hipertensos e diabéticos.

As consultas de rotina foram retomadas desde o mês de maio, com a priorização para os pacientes identificados como prioritários, mas com espaçamento de horários para evitar a aglomeração de pessoas.

Com relação à manutenção dos tratamentos oferecidos pela Atenção Básica, a oferta de medicações foi ampliada para o prazo de três meses, reduzindo a necessidade de deslocamento da população mais vulnerável. Os pacientes que fazem uso de medicação de alto custo também contam com a dispensação ampliada para 60 dias.

A UGPS afirma que ampliou em 70% o número de atendentes no serviço, adotou medidas de segurança em saúde com o maior espaçamento entre os usuários, além de orientar para que os idosos encaminhem representantes legais para a retirada da medicação, evitando a exposição desnecessária das pessoas que fazem parte do grupo de risco para o coronavírus.


Leia mais sobre | |
Link original: https://www.jj.com.br/jundiai/cardiacos-evitam-idas-ao-hospital/
Desenvolvido por CIJUN