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Carlos Eduardo Pereira: O Brasil abraça seu patrimônio

CARLOS EDUARDO PEREIRA | 18/08/2018 | 05:20

Hoje é o Dia Nacional do Patrimônio Histórico. Em todas as cidades brasileiras está sendo promovido um abraço coletivo em um bem relevante desse tipo e que foi escolhido para chamar a atenção para a necessidade de sua preservação. A iniciativa do IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil) tem em Jundiaí um ato no Complexo Fepasa às 16h deste sábado (18). No mesmo dia, em Campinas, o abraço vai ser às 10h em torno do Centro de Convivência Cultural – um ícone moderno escolhido como símbolo da data em reunião do IAB de que fiz parte.

Em São Paulo, o dia é parte da gigantesca Jornada do Patrimônio. Apenas os imóveis abertos à visitação no fim de semana passam de 100, sem contar centenas de atividades. Para se inscrever nas visitas, acesse jornadadopatrimonio.prefeitura.sp.gov.br. A jornada paulistana tem várias iniciativas de diversos grupos de todos os setores, em uma rara ideia para unir lazer e conhecimento de patrimônio histórico.Eduardo Carlos Pereira - colunista Jornal de Jundiaí

Na escala local, Jundiaí tem neste “mês do patrimônio” uma série de eventos, que podem ser conferidos no link https://bit.ly/2wjncj9. Uma boa iniciativa nessa linha é o passaporte educativo para estudantes chamado “guardiões do patrimônio”, que incentiva crianças a levarem seus pais a conhecerem e reconhecerem nossas referências. Espera-se, agora, um projeto eficaz de educação patrimonial.

As referências, para serem reconhecidas e pertencerem às cidades e aos cidadãos não têm como existir sem preservar a paisagem. O meio está no Plano Diretor, que precisa fazer constar todos os dados individuais, que são os bens inventariados, seus ambientes e suas extensões territoriais. Em Jundiaí, isso até está iniciado, mas ainda falta muito para ficar eficiente. Sem a proteção da paisagem, a referência do bem se perde mesmo sendo conservada. A necessidade de referências é crucial para a população e para nossa qualidade de vida.

Barcelona e Paris, por exemplo, possuem isso absolutamente implementado e indiscutível. A arquiteta Regina Monteiro colaborou com as leis dessas cidades e reconhecida de forma internacional e chamada carinhosamente de “Mãe da (lei da) Cidade Limpa” em São Paulo – e que já apresentou-se em Jundiaí por diversas vezes. Mas a cidade não aderiu e realiza também neste sábado (18), na Unibes Cultural, uma mesa redonda sobre a importância da paisagem urbana para o desenvolvimento econômico.

É inseparável um bem cultural da paisagem. Na Carta de Veneza (que precisamos respeitar no Brasil como signatários da Unesco), o bem é indissociável do sítio. Assim, o Plano Diretor da Paisagem que Regina Monteiro desenvolve na Capital é o primeiro da América Latina. Impossível falar de patrimônio sem falar de paisagem.

EDUARDO CARLOS PEREIRA é arquiteto e urbanista, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais”. Foi presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Cultural de Jundiaí (Compac), de 2008 a 2011, e conselheiro do Compac, de 2014 a 2016. É membro do Icomos – Conselho Internacional de Monumentos e Sítios


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