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Carne e tomate impulsionam aumento da cesta

SIMONE DE OLIVEIRA | 09/05/2019 | 05:00

Segundo a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o custo da cesta básica subiu em todas as 18 capitais analisadas. Em 12 meses a alta já chega a 30% com Campo Grande liderando. São Paulo segue com cesta mais cara entre os locais pesquisados, R$ 522,05. Itens como carne, banana, pão francês e tomate são os vilões.

Segundo o economista e professor, Marino Mazzei, o grande item da cesta é a carne, que tem peso significativo e qualquer variação no preço do produto se reflete forte no custo. Porém as condições climáticas afetam todos os demais itens. “Os maiores aumentos se deram no preço do tomate, na carne bovina, banana e pão francês. Outros fatores que afetam os preços são a menor oferta, a maior demanda e a exportação de alguns produtos, principalmente da carne bovina, o que restringe a oferta no mercado interno”, explica.

Segundo o especialista, trata-se de um aumento que o consumidor sente no bolso facilmente. “O aumento representa um maior comprometimento da renda do trabalhador com sua alimentação. Na prática, o consumidor terá um gasto maior em alimentação e como sua renda não acompanha os aumentos desses produtos, ela fica cada vez mais comprometida com esses gastos”, adianta.

E os consumidores estão sentindo esta diferença a cada semana. Pelo menos uma vez por semana a dona de casa Amanda Aparecida Pedulla Leite, 31 anos, faz compras no mercado e consegue visualizar quando um item está mais caro. A moradora do Caxambu diz que o tomate tem variado bastante e por isso fica de fora do carrinho. “Hoje (ontem) ainda consegui pegar um pouco porque estava a R$ 3,87 o quilo, mas semana passada estava R$ 9,90. Ai não dá.”

A moradora do Jardim Tulipas, Maria das Graças Santos, 60 anos, conta que há alguns meses tem percebido este aumento quando vai comprar ao mercado. Acostumada a oferecer cestas básicas para famílias carentes do bairro, já se acostumou a diminuir a quantidade dos pacotes. “Ao invés de comprar 35 compro 30. Até que os preços baixem, temos que diminuir na quantidade, em especial do óleo que percebi que está um absurdo”, diz.

Comprometimento com o salário do trabalhador
O custo de uma cesta básica para um trabalhador adulto representa por volta de 35% de um salário mínimo.
Considerando que o salário mínimo está em R$ 954,00 e o custo da cesta básica em São Paulo é de R$ 522,00, o salário mínimo deveria ser de R$ 1.491.

Segundo o economista Marino Mazzei, considerando 220 horas de trabalho mensal e um salário mínimo de R$ 954 é possível definir que o trabalhador gasta 54,7% de seu tempo para bancar a cesta básica, ou seja, 120 horas de trabalho. “Como o comprometimento vai ser maior na alimentação e o salário permanecer fixo, defasado ou sem reajuste, o trabalhador vai ter que procurar itens alternativos, de safra, substitutivos aos que apresentarem preços maiores. A pesquisa é fundamental para que possa ser minimizado o impacto desse aumento.”

O Procon de Jundiaí orienta os consumidores a realizarem suas pesquisas de preços, levando em consideração o produto, sua marca, data de validade se for o caso, custo de deslocamento até o estabelecimento.

É importante, no ato da aquisição, o consumidor prestar atenção se a precificação apresentada no produto ou na gôndola é igual ao preço apresentado no caixa, em caso de divergência de preço, deverá o consumidor imediatamente informar o fornecedor, em não sendo resolvido, poderá fazer o registro do preço no local pode meio de foto, bem como a nota fiscal em mãos, poderá registrar a denúncia no Procon.

AUMENTO NO PRECO DA CESTA BASICA


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