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Casal mineiro mudou a história do bairro mais afastado do Centro

GUILHERME BARROS | 14/12/2019 | 10:00

A história de desenvolvimento do Jardim Novo Horizonte passa pelo casal Fátima Bessa e José Bessa. Vindos de Salinas – cidade do norte de Minas Gerais – em busca de melhores condições de vida, eles se instalaram no bairro há 30 anos. Não sabiam, porém, que seriam tão importantes nas lutas dos moradores.

O pedreiro literalmente meteu a mão na massa para levantar sua casa: há 30 anos, os terrenos do Jardim Novo Horizonte eram irregulares, como se fosse uma ocupação. As casas eram, na imensa maioria, feitas de madeira. “Com muito engajamento do pessoal que chegou aqui primeiro – que é o nosso caso – a gente conseguiu montar uma associação de moradores, e assim fomos conseguindo levar as demandas para a prefeitura. Eu ajudei a levantar muita casa de concreto aqui”, conta Bessa. Um desgaste em uma das pernas pelo esforço de trabalho fez com que ele, hoje com 71 anos, se aposentasse por invalidez.

Fátima acompanhou ainda o drama das famílias – vivido também por ela – em conseguir atendimentos médicos. “Nós tínhamos apenas uma linha de ônibus que nos levava para a Unidade Básica de Saúde (UBS) do bairro Traviú. Quando era emergência, a gente pegava o carro do vizinho. O problema é que só tinham três ou quatro moradores que possuíam carro no bairro. Já cheguei a ir a pé até o Traviú com meu filho no colo”, diz. À época, a criança tinha seis meses. Hoje o Jardim Novo Horizonte dispõe de toda uma estrutura de saúde, inclusive com uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) recém-inaugurada.

Antes com esgoto jogado a céu aberto, sem energia elétrica e água potável, o bairro hoje é bem diferente da realidade encontrada pelo casal. “Uma vez, durante o período eleitoral, o então candidato a prefeito Ary Fossen (1937-2012) conversava com moradores na rua, que ainda era de terra, e naquele dia tinha chovido. Passou um ônibus na poça e encheu ele de lama”, recorda Fátima. Fossen foi eleito e, durante seu segundo mandato, uma grande parcela do bairro foi asfaltada.

O trabalho feito na associação rendeu muitos frutos para o Jardim Novo Horizonte. Hoje o casal se recorda com carinho e vê que o trabalho em busca de melhorias foi bem feito. “Não só por nós, mas também por todos que nos ajudaram e ajudam até hoje de alguma forma”, finaliza Bessa.

Eles chegaram ao Jd. Novo Horizonte quando as ruas eram de terra, não havia médicos nem construções de alvenaria

Na Ponte, Joel Lanza é ícone

Ele nasceu Pedro Joel Lanza, mas dificilmente alguém que não seja da família vai chamá-lo pelo primeiro nome. Defensor nato do meio ambiente, Joel começou a levantar essa bandeira quando o assunto ainda era pouco comentado por aqueles que não davam importância para a causa. Foram essas as condições que o levaram a representar o povo na Câmara de Jundiaí entre 1997 e 2000, único mandato que teve. “Acho que faltaram habilidades políticas e também a colaboração do povo da Vila Joana”, lamenta Lanza. Mesmo assim, algumas conquistas importantes permanecem invisíveis aos olhos dos moradores do bairro.

A canalização do córrego da Vila Joana foi uma delas. Hoje a rua José di Fiori, que faz interligação com a entrada do Jardim São Camilo, foi uma das ações do ex-vereador. “Nós tínhamos uma preocupação com o afogamento da rua Dino por conta da feira livre e ela seria extinta do bairro. Conseguimos junto à prefeitura segurar a feira por dois anos antes de transferi-la para a rua José di Fiori. E foi a iniciativa precursora para abrir uma nova avenida no bairro”, lembra Joel.

Entre as décadas de 1980 e 1990, as tubulações de água começaram a sofrer colapsos com o desenvolvimento gradativo do bairro, a as ruas adjacentes ao Córrego do Mato sofriam com as constantes enchentes. “As pessoas me ligavam e diziam ‘Joel, meu sofá está boiando’. Eu respondia: o meu também”. Então o trabalho foi construir novas tubulações que suportassem maior volume de água”, comenta.

Segurança
O terceiro distrito policial registra hoje o maior número de ocorrências por furtos dentre todos os outros sete presentes na cidade: e a população se ajeita como pode para escapar da sensação de insegurança.

“Antigamente, quando cheguei na Ponte São João – há mais de 60 anos – a gente sabia até o nome do ladrão. Hoje a epidemia que tem se tornado o uso de crack não nos permite sair de casa como antigamente, principalmente à noite. Eu tenho 84 anos e não tenho mais forças para encarar ninguém. À época, eu fiz uma indicação para colocar a primeira base física da Guarda Municipal (GM) na Paróquia Santo Antônio. Ficou lá por cinco anos”, enfatiza Joel.

Estrela
Com a construção da avenida Luiz Zorzetti, antes estrada de terra, os terrenos da nova avenida foram desapropriados. Foi o gatilho para que o então vereador homenageasse o bairro com um presente que permanece até hoje: a sede da S.E Estrela da Ponte, clube de futebol amador fundado em 1965. A sala de troféus da entidade leva o nome de “sala de conquistas Pedro Joel Lanza. “Eu fiz um projeto de lei que amplia a concessão de terrenos da prefeitura de dois a quatro anos para 50 anos. Então a sede fica ali até 2038. Foi uma maneira de homenagear o bairro ao dar uma sede comunitária. Fiz pouco, mas fiz de coração”, finaliza Lanza.

Joel Lanza lembra da época em que os móveis boiavam nas enchentes do bairro


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