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Casos de meningite colocam cidades do interior em alerta

COLABORAÇÃO DE MARIANA CHECONI | 13/06/2019 | 05:01

Uma onda de mortes por meningite antes do inverno, estação na qual a doença é mais propícia a se propagar, coloca as cidades do interior de São Paulo em alerta. Locais como Sorocaba, Indaiatuba e Mairinque já registraram óbitos por conta da doença em 2019.

Em Jundiaí, nos primeiros meses de 2019 foram registrados 13 casos de meningite viral e quatro bacterianas, segundo a Unidade de Gestão de Promoção da Saúde (UGPS), por meio da Vigilância Epidemiológica (VE). No mesmo período de 2018 foram registrados 26 casos de viral e 5 de bacterianas. Ao todo, no ano passado foram 52 casos de meningite virais e 21 de bacterianas.
De acordo com a VE a situação está controlada, porém o alerta é permanente. É importante que os pais mantenham a carteira vacinal dos filhos em dia, já que a meningite bacteriana conta com a imunização disponível gratuitamente, além dos cuidados com a higiene e evitar lugares fechados sem ventilação.

Segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo (CEV), levando em consideração todas as etiologias de meningite (bacteriana, viral e outras não especificadas) foram registrados 1,7 mil casos e 94 mortes pela doença, até o dia 7 de maio deste ano, no Estado.

A DOENÇA
A meningite ocorre quando as meninges (membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal) inflamam. A doença pode ser causada por diversos agentes etiológicos. Entre eles, os vírus e as bactérias são as mais comuns.

De acordo com o pediatra do Hospital Universitário (HU), Saulo Passos, a meningite bacteriana é mais grave que a viral, mas os sintomas são semelhantes e o diagnóstico específico só é possível por meio de um exame. “O liquor, líquido que banha o sistema nervoso e se encontra dentro das meninges, é colhido por meio de uma punção lombar. É com esse resultado que identificamos o tipo de meningite que o paciente apresenta. A viral evolui de forma mais leve, já a bacteriana é mais grave, podendo deixar sequelas e causando infecção generalizada, que pode levar o paciente a óbito”, explica o médico.

Juliana Oliveira conta que sua filha de apenas 12 anos já contraiu a doença duas vezes. “Nas duas ocasiões os sintomas foram os mesmos. Achei que era enxaqueca, pois é comum ela ter. Além das dores na cabeça, ela estava com crises de vômito, febre e tontura. Os medicamentos não estavam fazendo efeito e ela estava sem força para fazer as atividades. Quando levei ao médico, fizeram o exame de sangue e apontou uma infecção. Para confirmar, colheram o liquor da coluna e o diagnóstico foi de meningite viral e ela ficou 15 dias no hospital sendo medicada”, relata.

Os sintomas da meningite costumam ser febre, dor de cabeça e rigidez do pescoço, que começam de forma súbita. Além disso, pacientes podem apresentar mal-estar, náuseas, vômito, aumento da sensibilidade à luz e confusão mental. Em casos mais graves, convulsões, delírio, tremores e coma. De acordo com Saulo, o contágio ocorre de pessoa para pessoa. “Fluídos corporais, contato direto e vias respiratórias são meios de contágio. Por esse motivo, é muito comum que pessoas da mesma família se contaminem. Uma vez diagnosticada a doença, o paciente precisa ser internado e fazer uso de antibióticos. A profilaxia também é aplicada nas pessoas próximas”, explica o médico.

Quatro tipos de vacinas estão disponíveis contra a meningite, de acordo com o Ministério da Saúde. São elas, BCG, Pentavalente, Meningocócica C e Pneumocócica 10.


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