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CDP está 30% acima da sua capacidade carcerária

Fabio Estevam | 23/08/2019 | 09:00

O CDP de Jundiaí está superlotado, com 1217 detentos, 30,4% a mais do que sua capacidade, que é de 847. O número acompanha a população carcerária dos 46 CDPs do estado de São Paulo, que estão com 55.243 presos, 39,1% a mais do que sua capacidade, que é de 33.628 presos.

Os números são da Secretaria da SAP (Administração Penitenciária) e foram comentados na manhã de ontem pelo secretário da pasta, Nivaldo Cesar Restivo, durante inauguração de uma brinquedoteca para crianças filhas de presos (leia mais nesta página).

“Nós estamos em um plano de expansão no sistema penitenciário desde 2010. Já são 29 unidades prisionais construídas de lá para cá (entre CDPs e penitenciárias)”, disse ele. “Existem ainda outros 9 CDPs em construção por todo o estado de São Paulo e serão entregues até o final do ano, aumentando em 8.500 as vagas no sistema para CDPs”, comentou.

O diretor-geral da cadeia informou que, apesar da superlotação, não há motivo para preocupação quanto há motins ou rebeliões.

“Nós trabalhamos aqui com três pilares para atender aos presos: família, religião e educação. Trabalhamos também com formação profissional, em que eles aprendem a ser eletricista, por exemplo. Isso sem contar projeto social com para presos que praticaram violência contra a mulher (agressão física), para que retornem ao convívio da sociedade sem voltar a cometer esse delito. Ou seja, damos todo o respaldo para que tenhamos um ambiente livre de distúrbios aqui dentro”.

Ainda de acordo com os dados da SAP, entre os 34 CPSs espalhados pelo interior, o de Jundiaí é o 21º com maior população carcerária. A SAP explicou, por meio de assessoria de imprensa, que: “Sobre a inclusão, os critérios são previamente estabelecidos pelas Coordenadorias Regionais de Unidades Prisionais, em especial, pela regionalização dos Centros de Detenção Provisória e a proximidade dos fóruns responsáveis pela tramitação dos processos judiciais, de modo a facilitar a logística de condução para audiências ou julgamentos.

Observamos ainda que podem haver exceções em casos de crimes que causem a incompatibilidade de coabitação com a população carcerária geral, dada a natureza do delitos, necessitando, portanto, de destinação em Unidade Prisional de perfil específico.”

Visita

Do lado de dentro, o clima de tensão está no ar. A reportagem do Jornal de Jundiaí teve acesso à área interna do centro de detenção, inclusive ao topo das muralhas, às torres de vigia e às áreas 7 e 8 do local, onde estão presos de maior periculosidade, como líderes da facção criminosa que controla os presídios no estado, e de quadrilhas de roubo a banco. Esses presos são colocados próximos às torres, justamente para que sejam mais bem vigiados.

Durante a visita à área interna, era possível ver os presos debruçados nas grades, tanto de abertura quanto nas janelas. Segundo funcionários, existem em torno de 20 presos ou mais em cada cela, com vaga para 12 detentos.


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