Jundiaí

Celebração da Páscoa pelas religiões e crenças


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Crédito: Reprodução/Internet
A Páscoa é uma data muito importante para diversas religiões. Antes mesmo do Cristianismo, a primavera era comemorada pelos antigos povos com rituais que se assemelham à Páscoa de hoje. Os egípcios, por exemplo, homenageavam a deusa Osíris, conhecida por ter o poder da ressurreição. Já os germânicos celebravam Eostre, a deusa da primavera, representada por um coelho que significava fertilidade. Mas a comemoração que originou a Páscoa cristã foi o Pessach, do judaismo. Ela surgiu entre os hebreus camponeses que celebravam a estação da abundância no campo, a primavera, trocando presentes, como ovos de galinha. Essas celebrações semelhantes adotadas por vários povos de diversas crenças, principalmente da Europa antiga, foram difundidas nas religiões existentes. Atualmente cada uma “moldou” a festa de um jeito e a evolução das histórias caminhou, porém este ano em particular, por conta da pandemia do coronavírus, as celebrações serão diferentes, mas não menos importantes. Uma das religiões com mais adeptos no Brasil, a católica, tem a Páscoa como um período de passagem. Segundo explica o padre Leandro Megeto, o tempo é de lembrar a passagem da escravidão para a liberdade. Passar do pecado à vida nova. “A Páscoa católica é uma festa ligada ao Pessach, Páscoa judaica, mas que Jesus, celebrando o Seder (a Ceia), deu um sentido definitivo a ela. Para nós católicos trata da maior de todas as festas e a mais importante porque Deus, em Jesus Cristo, passa pela nossa história e a refaz. Ressuscitando, ele nos atrai para junto do Pai”, explica o pároco. Segundo o padre, a comemoração é tão especial entre os católicos que a preparação para a data começa 40 dias antes, na Quaresma, e a celebração acontece durante três dias. O conhecido Tríduo Pascal. “Na quinta-feira santa entramos com o Senhor no Cenáculo. Permanecemos em Vigília com o Senhor, no Horto das Oliveiras, durante a noite. Na sexta-feira subimos ao Calvário para contemplar o mistério do Seu amor por nós, que é capaz de chegar ao extremo, dando a Sua vida pela nossa. Da sexta à noite até o sábado ao entardecer a Igreja permanece em silêncio e na expectativa do sepulcro. Até que na Vigília Pascal (Sábado Santo) proclamamos a Páscoa do Senhor. A morte não o deteve na sepultura. Ele está vivo”, esclarece. Neste ano algumas religiões adotarão as redes sociais para a celebração da Páscoa, por conta da impossibilidade de gerar aglomerações, respeitando as recomendações médicas que visam o controle da pandemia do coronavírus. Mesmo assim, a data será lembrada pelos religiosos que enxergam significado nela. Na religião cristã derivada da Reforma Protestante, promovida pelo então padre alemão Martinho Lutero, que não concordava com algumas práticas da Igreja Católica, a religião evangélica surgiu no século XVI e hoje, com diversas ramificações, é a segunda crença com mais adeptos no Brasil. O pastor Daniel Antonio, da Igreja Nazareno Comunidade da Esperança, de Campinas, explica que para os evangélicos a Páscoa simboliza o ápice do amor de Deus. Ele conta que foi por amor a nós que Deus entregou seu único Filho para morrer em nosso lugar. “Além do amor divino, a Páscoa representa nossa grande esperança através da ressurreição de Jesus Cristo, que nos prometeu dar, juntamente com Ele, a vida eterna no lar celestial por Ele preparado”, explica. O pregador descreve a Páscoa como a maior festa do calendário cristão. “Sempre a celebramos primeiro na igreja, em um grande culto de Páscoa. Durante a ceia do Senhor lembramos o sacrifício de Cristo, reafirmando a Sua ressurreição e a nossa viva esperança do Seu triunfante retorno”. Daniel explica também que cada igreja protestante tem um modo de comemoração, mas o significado da Páscoa é o mesmo em todas. “Na Comunidade Esperança, igreja localizada em Campinas, a celebração enfatiza que Cristo morreu e ressurgiu para nos dar a oportunidade de um novo começo”, comenta. Este ano a celebração será feita por meio de culto através da transmissão on-line pelas redes sociais. Trata de um momento de gratidão à Páscoa e isso deve ser feito em volta da mesa. “Temos que lembrar sempre o verdadeiro sentido desta comemoração. Jesus morreu e ressuscitou para nos dar vida e vida em abundância. Nós da Comunidade da Esperança buscamos nesta ocasião sempre enfatizar que Cristo morreu e ressurgiu para nos dar a oportunidade de um novo começo, uma nova vida sendo esta com toda a esperança de se viver uma vida alegre e abundante. Como nos diz a Bíblia ‘Cristo em nós, a esperança da glória!. É a passagem de Colossensses 1:27”, explica.   OUTRAS CRENÇAS O espiritismo, doutrina escrita por Allan Kardec, na França do século XIX, tem no Brasil a maior nação do mundo. O país é o que mais possui espíritas e o significado da Páscoa para esta religião, que crê na reencarnação, se perde no campo material, segundo Vania Mugnato de Vasconcelos, advogada e membro ativa da doutrina em Jundiaí. No entanto, ela explica que a questão filosófica implícita é considerada. “A simbologia pascal é como uma prova da continuidade da vida, que é espiritualmente imortal. Sendo cristãos, passamos pela comemoração lembrando que Cristo veio nos mostrar os verdadeiros valores da existência e, ao se apresentar materializado após sua passagem para a vida espiritual, trouxe a convicção de que a morte não existe e que nossa meta encarnatória deve ser a busca da paz da consciência cumpridora de todos os deveres morais”. E completa. “Embora seja uma filosofia cristã, os espíritas não comemoram a Páscoa. Não existe nos princípios da Doutrina Espírita o dogma da ressurreição. Para o Espiritismo o retorno à vida carnal acontece através da reencarnação. Em outras palavras, o princípio inteligente (espírito) pode retornar à matéria em nova existência, em novo corpo físico”, elucida a advogada. Religião tipicamente brasileira, a Umbanda surgiu do sincretismo entre outras crenças. Originalmente chamada de Alahbanda, nome de uma entidade que, em vida, era muçulmano. ‘Alah’, do árabe, significa Deus e ‘banda’ é sinônimo de lado no português. Sendo assim, Umbanda refere-se a estar ao lado de Deus. O babalorixá Samuel Leme, informa que a Umbanda não tem como não considerar a reflexão, o amor, a ajuda ao próximo e a alegria desse período. Ele explica como é a Páscoa na Umbanda.  “Este período pascoal tem grande significado para nós. Na quaresma a reflexão se faz presente. Na Sexta-Feira Santa os ritos de preparo do óleo bento e cruzamento (fechamento) do corpo são realizados. No sábado de aleluia vamos ao terreiro ansiosos pelos conselhos e resumos do período da quaresma trazidos pelos Guias e compartilhamos com nossos familiares, adeptos ou simpatizantes, no domingo de Páscoa”.     BUDISMO A Páscoa não é comemorada por budistas. Para a religião, a celebração mais importante é o Vesak ou Hanamatsuri, a festa das flores. A data representa o nascimento de Shaka, que após a iluminação tornou-se Buda. No dia do Vesak, além do nascimento, também é comemorada a iluminação e a morte de Buda. Segundo as diferentes crenças, o Hanamatsuri é mais comemorado no Japão e acontece neste mês. Já o Vesak, mais comemorado em outros países adeptos ao budismo, a data de celebração costuma cair em maio. ISLAMISMO Assim como o Budismo, o Islamismo não celebra a Páscoa. A religião é a segunda com mais adeptos no mundo, embora tenha poucos seguidores no Brasil. A principal data religiosa para os muçulmanos é o Ramadan, período de trinta dias em que permanecem em jejum entre o nascer e o pôr do sol. O Ramadan representa o tempo de 30 dias que o profeta Maomé ficou sem comer ou beber até que o Alcorão lhe fosse revelado. Neste ano o Ramadan será lembrado entre os dias 23 de abril e 23 de maio. JUDAÍSMO O Pessach é a “Páscoa judaica”. A palavra vem do hebraico e significa “passagem”. O Pessach representa a travessia e libertação do povo do Egito, liderado pelo profeta Moisés, através do Mar Vermelho até a Terra Prometida. A travessia, guiada por Deus, durou 40 anos. A reportagem do Jornal de Jundiaí não conseguiu falar com judeus, pois já iniciaram o período de reclusão e oração que dura sete dias. Neste ano, a celebração começou na última quarta-feira (8) e vai até a quinta (16). Para os judeus, o Messias ainda não chegou. Jesus veio até nós e disseminou sua mensagem de amor, mas foi um rabino e não o Messias.

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