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Cigarro eletrônico também traz risco à saúde

Thiago Avallone | 07/12/2019 | 05:00

Desde que chegou ao Brasil, o cigarro eletrônico vem se popularizando cada vez mais. Mas, de acordo com especialistas, essa não é uma boa notícia. Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), três pessoas foram diagnosticadas no país com danos nos pulmões associadas ao uso de cigarros eletrônicos, o que ligou o alerta para os riscos do uso do equipamento, que tem a venda vetada no país.

A SBPT confirmou que os casos identificados no Brasil são decorrentes da vaporização de tetrahidrocanabinol (THC) e que todos os pacientes adquiriram o dispositivo nos Estados Unidos.

“Foram confirmados três casos até agora, mas, a pedido dos médicos e dos próprios pacientes, não podemos identificá-los. O que fazemos é um alerta para que profissionais da saúde saibam identificar este problema”, disse José Miguel Chatkin, presidente da SBPT, em entrevista ao G1.

Em comunicado, a entidade explica que os sintomas decorrentes do uso destes equipamentos costumam incluir tosse, dor torácica e dispneia, além de dores abdominais, náusea, febre, calafrios e até perda de peso.

No Brasil, o tratamento indicado para a doença propõem a suspensão imediata do uso do cigarro eletrônico, uso de corticoides e até mesmo a internação para acompanhamento em casos de pacientes dispneicos ou com a respiração prejudicada.

De acordo com o cardiologista Wagner Ligabó, o cigarro eletrônico realmente tem menos alcaloide do que o cigarro convencional, o que é bom, mas o que gera o maior problema é a nicotina, substância que causa o vicio e está presente no dispositivo eletrônico.

“Hoje, as empresas fabricantes desses cigarros fazem os dispositivos bonitos, com luzes, são chamativos, tecnológicos, e, além disso, eles não têm aquele odor comum de cigarro, têm <CW-27>um sabor e cheiro aromatizado com gostos de chocolate, menta, entre outros que parecem ser agradáveis. Tudo para tentar ter uma imagem diferente do cigarro convencional, mas, na verdade, a nicotina continua ali e é ela que aprisiona os usuários no vício”, explica o cardiologista.

Wagner Ligabó diz que a luta para a diminuição e até mesmo o fim do tabagismo deve continuar, pois o vício é um dos maiores causadores de câncer no país. “A cada hora dez pessoas morrem por causa do cigarro. De todos as causas que podem provocar câncer, o único que pode ser evitado é o cigarro. Não é possível que uma pessoa sabendo disso continue utilizando”, conclui.

O jovem bancário Felipe Flausino, de 27 anos, é adepto do vaporizador e explica que escolheu o cigarro eletrônico pois, de acordo com ele, o equipamento é menos nocivo à saúde do que um cigarro convencional. “Eu optei pelo cigarro eletrônico porque é praticamente 90% menos prejudicial. Sei que não faz bem, mas faz menos mal que o cigarro normal”, diz.

Quanto à redução do consumo da nicotina, explica que, aos poucos, vem trabalhando a cabeça e conseguindo diminuir. “É muito complicado largar esse vício, até porque é uma droga licita. Isso tudo vai muito da questão psicológica. Tenho de trabalhar a cabeça para, aos poucos, ir deixando o vício.”

A psicóloga Fernanda Moura explica que, para parar de fumar definitivamente, a pessoa precisa primeiro estar consciente de que tanto o cigarro convencional quanto o eletrônico fazem mal e ter o desejo de abandonar a dependência. “É importante repensar a rotina e quebrar as associações que existem entre o fumo e as tarefas diárias. Ao parar de fumar, você pode se sentir ansioso, com dificuldade de concentração, irritado, ter dores de cabeça. Por isso, é preciso mudar a rotina e buscar atividades diferentes, que ofereçam prazer”, explica Fernanda.

Em outubro, a Anvisa pediu para que as instituições de saúde enviassem alertas sobre relatos de problemas relacionados ao uso dos cigarros eletrônicos. Para a agência, esta ação deve reduzir os riscos de mortes.

 


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