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Clube 28 será tombado, mas ainda luta para construir nova sede

| 28/05/2014 | 00:05

O Clube 28 de Setembro, fundado em 1895 em Jundiaí, é um dos três clubes negros de São Paulo a ser escolhido pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) como patrimônio e, portanto, será tombado.

O anúncio foi feito no último dia 19, durante reunião entre os membros do conselho, que ainda apontaram o Grêmio Recreativo Familiar Flor de Maio (São Carlos) e a Sociedade Beneficente 13 de Maio (Piracicaba) como futuros patrimônios. A data para a oficialização do tombamento não foi divulgada.

Apesar da satisfação pela lembrança, os diretores do clube dizem que ainda lutam para construir a nova sede, já que a atual, localizada na rua Petronilha Antunes, no Centro, não comporta as atividades promovidas pelo 28 de Setembro. A falta de verba é um dos empecilhos para a construção no terreno doado pela Prefeitura de Jundiaí há 30 anos.

“Infelizmente, o número de sócios caiu muito. Chegamos a ter três mil cadastrados e hoje são pouco mais de 500. Não temos como atrair a atenção deles se não temos nada a oferecer. Quem sabe esta lembrança seja uma maneira de fazer o clube ser um dos destaques da cidade”, comentou o presidente Edval Francisco Honório. 

O diretor de Patrimônio Histórico e Cultural de Jundiaí, Donizetti Aparecido Pinto, comenta que o reconhecimento é de grande relevância histórica para o clube. “Embora tardiamente, o governo estadual reconhece a importância cultural da comunidade afrodescendente de Jundiaí e de outras regiões do Estado de São Paulo.

Toda instituição precisa ter um espaço próprio, essa carência infelizmente também afeta o Clube 28, mas não foi obstáculo à sua longevidade. Esperamos que o tombamento seja um grande passo no sentido de solidificar a estrutura material do clube.”

A proposta
Segundo o relatório que aprovou o tombamento, os ‘clubes apresentam indicativos de que são elementos importantes para a história social e cultural da formação da sociedade paulista, com ênfase para a cultura negra’. Na ocasião, a Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico (UPPH), entidade ligada ao Condephaat, apontou que o aprofundamento das pesquisas e análises podem levar à identificação de outros bens que poderão vir a ser objeto de tombamento.

O pedido foi apresentado pela assessoria Cultura Gêneros e Etnias e o conselheiro relator, Heitor Frúgoli Júnior, explicou que as investigações da UPPH apontaram uma forma de conhecimento sobre dimensões históricas relevantes da população e cultura negras.


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