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Co-proprietária não ordenou demolição

KÁTIA APPOLINÁRIO | 15/01/2020 | 05:00

Após a polêmica envolvendo a tentativa ilegal de demolição de duas casas pertencentes ao perímetro da Vila Operária, informada pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico (Compac), a equipe do Jornal de Jundiaí foi novamente a avenida Dr. Cavalcanti, no bairro Vila Argos, para ouvir a opinião dos moradores da região.

“Notamos que a casa ficou neste processo de demolição por mais de uma semana, mas não sabíamos o que estava acontecendo, e as paredes externas seguiam conservadas”, conta um dos vizinhos que preferiu não se identificar.

Outro morador da região afirma que a demolição foi realizada “sem nenhuma equipe de segurança ou placa de aviso sobre o que estava sendo feito no local”, alegando que houve uma falha de comunicação.

Ao ser questionada a respeito do acontecimento, a co-proprietária dos imóveis, Maria Isabel Guimarães Fávaro, afirma que a degradação das casas não se deve apenas à demolição, mas sim a um conjunto de fatores que envolvem a exposição do imóvel aos fatores naturais, a invasão de moradores de rua e o descarte de lixo no local por parte de terceiros. “Acatando a reclamação de vizinhos, não conseguindo conter a invasão [DE MENDIGOS] e recebendo notificação da Prefeitura de Jundiaí pelas condições de falta de estabilidade, segurança e salubridade, decidimos pela demolição”, explica Maria Isabel ressaltando que a Guarda Municipal foi acionada diversas vezes a respeito da situação do local.

No dia 25 de setembro do ano passado, o processo foi protocolado junto à Prefeitura de Jundiaí, e a proprietária afirma que no dia 7 de outubro recebeu o auto de embargo. “Embora o contratado soubesse que não deveria fazer a demolição, em uma segunda-feira fomos informados por um vizinho do local, que fora demolida uma parte da casa durante o sábado e domingo sem a nossa ordem”, reitera.

A co-proprietária alega ainda que foi colocado um alambrado ao redor da propriedade, ação esta que foi verbalmente autorizada pela Prefeitura de Jundiaí.

Ao ser questionada a respeito da Lei Complementar 443/2007, Capítulo IV, Art. 12, que dispõe que o Patrimônio Cultural do Município, compreende os imóveis públicos ou privados que possam vir a ter vinculação histórica, seja por seu valor cultural, artístico, arquitetônico ou urbano, Maria Isabel Fávaro afirma que não há registros a respeito do valor histórico do patrimônio em questão. “Comprovamos nas Certidões de Origem, por nós solicitadas junto ao 1º Registro de Imóveis, tendo sido adquirida em 02 de junho de 1957, sendo que as mesmas não possuem qualquer relação com a Vila Operária da referida fábrica e que não dispõem de qualquer valor arquitetônico, cultural, histórico ou de interesse público, conforme podemos comprovar com documentos, não conseguimos discernir qual a importância histórica para esse provável tombamento”, ressalta.

Diante das declarações da co-proprietária, o Jornal de Jundiaí entrou em contato novamente com o Compac, mas não houve retorno até o fechamento da edição.


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