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Coleta seletiva do lixo é desafio

| 04/08/2014 | 11:07

A maior cidade entre as outras seis integrantes do Aglomerado Urbano de Jundiaí (AUJ) é, consequentemente, a principal produtora de lixo na Região: são 10,6 mil toneladas por mês,resultado das cerca de 930 gramas geradas por cada cidadão jundiaiense diariamente, em média, enquanto a nacional é de 750 gramas diárias, por pessoa. 

Do valor acumulado mensalmente, somente 600 toneladas correspondem a itens de coleta seletiva (6%). E os números a partir disso são ainda menos favoráveis ao meio ambiente: do total destinado à reciclagem, somente 20% são aproveitados – o que apenas 1,2% do total de lixo produzido pelos quase 400 mil habitantes de Jundiaí. 

A matemática é tão complexa quanto o desafio da coleta seletiva – seja para o poder público municipal jundiaiense, com mais infraestrutura e poder de investimento, ou para qualquer um dos outros municípios do AUJ (Várzea Paulista, Itupeva, Campo Limpo Paulista, Jarinu, Cabreúva e Louveira). Juntas, as cidades produzem quase 20 mil toneladas de lixo por mês. 

E a coleta seletiva, embora seja realidade em cinco delas, ainda fica muito aquém do ideal – e o processo para mudar esse cenário é de longo prazo. “Lixo é tudo aquilo que a gente joga fora. Mas onde? E como? Não adianta eu ser sustentável em casa se não há coleta seletiva em minha cidade para dar a destinação correta a esse lixo que pode ser reciclado”, pontua o professor de meio ambiente e sustentabilidade da Escola de Negócios da Fundação Getúlio Vargas (IBE-FGV), Luiz Fernando Bueno.

De acordo com ele, sustentabilidade, palavra tão comum no dia a dia, nada mais é do que mudança de atitude. E isso envolve pessoa física, jurídica, governo, setor industrial, comunidade de forma geral. “Todos nós somos atores e temos que praticá-la diariamente. Todo mundo tem que fazer sua parte e isso começa pela coleta seletiva, por exemplo, até chegar na logística reversa”, enfatiza.

BOM EXEMPLO
Na Região, Louveira tem um sistema de coleta de recicláveis e reaproveitamento desse material que gera cerca de R$ 180 mil por ano – valor que é destinado para a Santa Casa da cidade e também para uma entidade de assistência social. São arrecadadas 140 toneladas de lixo reciclável por mês.

A separação começa nas residências com a distribuição de sacos verdes, já conhecidos pela população como sendo os da coleta seletiva. O custo não foi divulgado, mas a secretária de Gestão Ambiental, Rose Skelton, garante que se trata de um investimento que vale a pena. 

“Para a prefeitura não é um custo tão alto, mas precisa de vontade política, de uma administração voltada para a questão ambiental e de comprometimento”, diz, contando que os moradores da cidade ligam para a secretaria reclamando caso haja falta dos ´sacos verdes´ para a separação do lixo reciclável. É nesse ponto que as outras cidades do AUJ precisam chegar. 

Louveira tem um Centro de Gerenciamento de Resíduos (CGR) onde 13 funcionários terceirizados trabalham diariamente para separar o lixo reciclável e encaminhá-lo para venda. O principal desafio, embora a população tenha participação expressiva para a coleta seletiva, é conscientizar a respeito de não misturar lixo orgânico com reciclável.

“Em maio começaremos uma forte campanha para reduzir ainda mais a quantidade de lixo orgânico que vem, vez ou outra, misturada”, afirma a engenheira ambiental e responsável pelo CGR, Lívia Rocha Barreto. O trabalho para separar vidros, garrafas PET, papéis, plásticos e metais é árduo, mas feito com responsabilidade num galpão alugado pela prefeitura. Pilhas, pneus e eletrônicos também são coletados e há algumas parcerias para logística reversa, embora essa seja uma área a ser ainda melhorada, segundo Lívia.


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