Jundiaí

COLUNA DO MARTINELLI: 05 de agosto. Dia Nacional da Saúde, nada a comemorar, só lamentar...

Uma concepção moderna de saúde indica que ela se constitui no bem-estar do indivíduo nos aspectos físico, mental e social, revelando-se num dos direitos fundamentais do ser humano. E como aspiração básica em nosso país ainda trilha um longo caminho à sua concretização. Em verdade, a sua conquista repousa na possibilidade de fazê-lo deixar a abstração para aterrissar no mundo real, posto que a sua situação caótica e deficitária, apesar da Constituição Federal em seu art. 196 expressamente dispor: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Desta forma, a Carta Magna de nosso país pugna por maior atenção à saúde, cujo desrespeito se considera uma infração de natureza constitucional, sem incidência, contudo, de eventuais sanções pelo seu descumprimento. Assim, algumas conquistas foram efetivadas nos últimos tempos, mas ainda estamos longe de alcançar a situação ideal. E dentre os inúmeros e sérios problemas que afetam e prejudicam o setor, talvez o mais grave se constitua no fato do sistema atual transformá-lo de um direito do cidadão constitucionalmente garantido em um privilégio econômico, acessível a poucos. Perante a fragilidade dos órgãos públicos, proliferam os planos de saúde da área privada. E apesar de se revelar numa incumbência pública, o que se vislumbra uma enorme distorção que também evidencia a dramática característica da desigualdade, inerente a outros aspectos sociais de igual relevância. O saudoso Dom Luciano Mendes de Almeida destacou que “toda pessoa tem direito à estima e ao respeito, mais ainda quando enferma e incapaz de tratar de si própria. Necessita de amparo, de assistência médica, de presença amiga e de conforto espiritual”. Em nosso país, entretanto, tais aspectos nem sempre são outorgados aos pacientes e inúmeros, complexos e gravíssimos são os problemas no atendimento médico e hospitalar da população que se depara com uma estrutura ineficaz e desprovida de recursos, mercê ausência quase absoluta de vontade política em amenizar a situação. Comemora-se a 05 de agosto, quarta-feira próxima, o Dia Nacional da Saúde por ser a data de nascimento do sanitarista Oswaldo Cruz em 1872, um importante personagem na história do combate e erradicação das epidemias da peste, febre amarela e varíola no Brasil no começo do século XX. Com certeza, por culpa da inércia e desídia de nossos administradores nada temos a comemorar. Ao contrário, só a lamentar...Por outro lado, para descontrair um pouco, a recomendação do poeta Vinicius de Moraes: “Amai, porque nada melhor para a saúde que um amor correspondido”. SELO POSTAL, SÍMBOLO NACIONAL Comemorou-se ontem, 01 de agosto o Dia Nacional do Selo, que ao lado da Bandeira, das Armas e do Hino é um dos símbolos nacionais. Foi nessa data em 1843 que foram publicados os primeiros selos no Brasil – a famosa série Olho-de-Boi. Eles são muito importantes pois se constituem em instrumentos de comprovação do pagamento de taxas de correspondências e suas estampas dos mais variados temas encantam os filatelistas. Perdeu parte de sua função diante da internet já que a comunicação “on line” é eficiente e imediata, aspectos que se distanciam dos atuais serviços da Empresa de CorreiOS e Telégrafos brasileira. Mas ainda são muito considerados, pois como expressou Josh Billings, “suas utilidades consistem na habilidade de aderirem a algo até que atinjam seu destino”. AFASTAR O COMODISMO E A OMISSÃO "É melhor tentar e falhar, que preocupar-se e ver a vida passar./ É melhor tentar, ainda que em vão que sentar-se, fazendo nada até o final./ Eu prefiro na chuva caminhar, que em dias frios em casa me esconder./ Prefiro ser feliz embora louco, que em conformidade viver" (Martin Luther King) JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas ([email protected])

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