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COLUNA DO MARTINELLI: 19 de junho é o Dia do Cinema Nacional

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 16/06/2019 | 05:00

Sem dúvida alguma, o cinema brasileiro é um importante mecanismo de comunicação, agente difusor da imagem e da cultura nacionais. Divulga a identidade de nossa Nação não apenas para o seu povo, mas para o mundo, trazendo ainda uma visão para nós de outros países. A sua proposta, o seu diferencial, tem sido justamente destacar a identidade nacional, retratar o Brasil.

Quarta-feira próxima, 19 de Junho é o dia escolhido pela Ancine (Agencia Nacional do Cinema) para comemorar o Dia do Cinema Brasileiro. Foi nesta data, em 1889 que o primeiro filme em movimento genuinamente nacional foi rodado pelo cinegrafista italiano Afonso Segreto ao chegar da Europa a bordo do navio “Brèsil”. A película se chamava “Vista da baía de Guanabara” e era um documentário com cenas aprazíveis desse local. Desde então, os irmãos Segreto começaram a registrar os principais acontecimentos, sendo os únicos produtores daqui até 1903. A primeira exibição ocorreu no dia 8 de julho de 1896 no Rio de Janeiro. Com grande sucesso, um ano depois já existia uma sala fixa carioca, chamada “Salão de Novidades Paris”, de Paschoal Segreto, um empresário ítalo-brasileiro.

Em 1953, a fita “O Cangaceiro” foi realizada e tornou-se um dos maiores sucessos. Produzido pela Companhia Cinematográfica Vera Cruz, a história foi inspirada na figura de Lampião, um lendário cangaceiro e ela também se mostrou pioneira ao conquistar as telas estrangeiras, ganhando o prêmio de melhor filme de aventura e de melhor trilha sonora no Festival Internacional de Cannes. Com tal sucesso, foi levado para oitenta países e vendido para a Columbia Pictures.

Embora nunca tenha chegado a se estruturar plenamente como indústria, o cinema brasileiro, em sua história, teve momentos de grande repercussão internacional, como na época do Cinema Novo e de crescimento do mercado interno, como no período da Embrafilme. Muitos nomes, tanto de artistas como de realizadores e diretores mesmo com inúmeras dificuldades na área, valorizam a sétima arte em nosso país, razão pela qual rendemos nossas sinceras homenagens.

MAZZAROPI, UM NOME A SER REVERENCIADO
Aproveitamos a ocasião para reverenciar o comediante Amâncio Mazzaropi que começou muito cedo no circo e realizou inúmeras fitas, sempre encarnando personagens típicos brasileiros, notadamente o caipira, ora esperto, ora preguiçoso, mas sempre valorizando as coisas da terra. Ficou gravado como um dos principais nomes da cinegrafia do país.

Além de grande artista, foi um empreendedor. Produzia, dirigia e distribuía as suas próprias produções, que com o decorrer do tempo passaram ser rodadas em sua fazenda em Taubaté, onde já funcionavam os seus estúdios. Também divulgava e participava das estreias em muitas cidades. Tivemos oportunidade de conversar diversas vezes com ele que vinha a Jundiaí promover o lançamento dos filmes e revelava sua grande simpatia pelo Cine Politheama. Passava pela redação do Jornal de Jundiaí, tomava café em “A Paulicea”, almoçava no Restaurante Brasília e se hospedava no Grande Hotel. Tal rotina realizou por muitos anos.

Criou personagens clássicos como o Jeca, ao mesmo tempo em que construiu um patrimônio histórico e cultural jamais visto. O seu filme “Casinha Pequeninha” foi filmado em nossa cidade e hoje o personagem “Candinho” da novela “Eta Mundo Bão!” se inspirou em seu trabalho artístico. Em 1994 foi inaugurado o Museu Mazzaropi, localizado na mesma propriedade dos antigos estúdios, recolhendo a história da carreira de um dos maiores nomes do cinema, do teatro e da televisão brasileiros.

É raro alguém que já passou dos quarenta anos que não se lembre com muita satisfação de algum de seus filmes, nos quais fazia rir, chorar e reverenciar o cidadão simples, mas feliz, transmitindo a ideia de que a riqueza não é tudo nessa vida, já que SER é muito mais importante do que TER.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. Ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)


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