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COLUNA DO MARTINELLI: 28 de abril. Dia Internacional da Educação

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI | 26/04/2020 | 05:00

Celebra-se a 28 de abril o Dia Mundial da Educação em referência ao encontro de representantes de 180 países participantes do Fórum Mundial de Educação, realizado em abril de 2000, na cidade de Dakar, no Senegal. A comemoração foi instituída para que ocorram reflexões e debates sobre as questões negativas e as positivas que a cercam. Na ocasião, foi assinado um documento no qual estas nações se comprometiam a não poupar esforços para que a educação chegasse a todas as pessoas do planeta até 2015.

Infelizmente esse propósito não se concretizou e no Brasil está bem distante de alcançá-lo. E muitos motivos contribuíram para isso. O maior deles foi a falta de vontade política. Utilizando-se de opiniões populares, podemos dizer que “o maior inimigo de um governo é uma população culta”. Assim, o assunto não interessa a maioria dos representantes públicos, que prefere que as pessoas não pensem, já que para eles basta que saibam gritar gol. Contraria-se o objetivo central da educação que é o de desenvolver seres humanos com uma razão crítica, com uma visão de mundo ético e humanista, com criatividade, senso estético e equilíbrio afetivo e psíquico. Tanto que é um direito social, um pré-requisito para usufruir-se dos demais anseios civis, políticos e sociais.

Em vários países ainda não desenvolvidos, um dos aspectos que agravam a péssima situação da educação é o da justiça social desconhecer que todos os cidadãos, sem distinções, devem ter acesso à educação, reservando a cultura a uma classe privilegiada, fossilizando, assim, muitas forças humanas, mesmo porque, o seu fim é determinado pelo fim último do homem. E assim vão perdendo um tempo precioso para superar o desafio da revolução qualitativa da estrutura educacional.

Não podemos esquecer que o seu valor simbólico fecunda o processo civilizatório, dos valores às leis, da política à vida e que ela se enquadra na Segunda Geração dos Direitos Humanos, àqueles que traduzem o valor da igualdade e dizem respeito aos direitos sociais, culturais e econômicos.

Assim, uma educação adequada e crítica, visando sobretudo a elevar o ser humano, decorrerão inúmeros benefícios para toda humanidade, porque quando os indivíduos se sentem partes integrantes de um todo, colaboram grandemente para aprimorar o crescimento desse todo.

Ela não pode ser vista como responsabilidade apenas das escolas. Tudo na sociedade pode ser e é pedagógico, em sentido positivo ou negativo.

Na família, no trabalho, nos meios de comunicação, na ação política, nos atos religiosos, em qualquer setor de atividade humana, estamos ensinando às novas gerações modelos e propostas de conteúdo técnico, político e moral. Isso é tanto mais verdade na sociedade moderna, em que a criança está em contato com o mundo pela informática, televisão, outros meios da mídia e pela interação intensa com os adultos.

É visível, portanto, a necessidade de empenho coletivo para que os reais objetivos educacionais sejam plenamente atingidos, e essa responsabilidade não se limita à autuação do educador, como profissional, mas envolve também uma sensível participação dos órgãos governamentais e dos demais setores sociais para prover e alocar recursos suficientes e adequados ao perfeito cumprimento desses propósitos.

JOÃO CARLOS JOSÉ MARTINELLI é advogado, jornalista, escritor e professor da Faculdade de Direito do Centro Universitário Padre Anchieta de Jundiaí. É ex-presidente das Academias Jundiaienses de Letras e de Letras Jurídicas (martinelliadv@hotmail.com)


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